trasntorno alimentar

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O presente artigo tem o objetivo de mostrar a escassez de estudos relacionados ao tema em questão e para tanto foi realizada uma pesquisa bibliográfica em artigos online publicados de 2005 a 2011. Os critérios de inclusão e exclusão foram relatos de pesquisa que incluíam homens de 07 a 90 anos, com base filosófica do behaviorismo radical/Análise do Comportamento. Neste levantamento foram encontradas três pesquisas que relatavam a ocorrência de transtornos alimentares em homens.

O primeiro artigo tinha o objetivo de investigar o modo singular como portadores de anorexia e/ou bulimia nervosa vivenciavam o corpo e a imagem corporal e como os acompanhantes/familiares e os profissionais de saúde percebiam a problemática desses rapazes em relação à corporeidade, visando compreender este padrão e qual a sua influência na evolução desses transtornos alimentares e no tratamento (ANDRADE, 2008). O segundo artigo detectava a prevalência de sintomas de TA entre homens universitários do curso de Educação Física e associava a presença e o desenvolvimento desses sintomas à fase do curso escolhido, à imagem corporal, orientação sexual e prática de atividade física dos indivíduos pesquisados (SANTOS; GUEDES; CARDOSO; FRASSON, 2010). E por último um artigo da pesquisa que tinha como objetivo de investigar o modo como um adolescente com anorexia nervosa atípica experienciava seu corpo e imagem corporal (ANDRADE E SANTOS, 2009).

Embora o sexo feminino seja apontado como o mais vulnerável às pressões socioeconômicas e culturais, o homem, cuja atividade impõe padrões estéticos mais rí­gidos e modelo de corpo e peso saudável também se apresenta muito susceptível para distor­ção da imagem corporal. Contudo, diferente das mulheres que desejavam estar mais magras, os homens relatavam maior preocupa­ção com a forma física e ganho de massa muscular (SANTOS; GUEDES; CARDOSO; FRASSON, 2010).
 
Apesar da escassez de estudos epidemiológi­cos acerca da prevalência de sintomas de TA na população masculina, as pesquisas encontradas descreveram que cerca de 10% de todos os pacientes bulími­cos ou anoréticos eram homens (SANTOS; GUEDES; CARDOSO;  FRASSON, 2010).

A obsessão pela magreza e o culto ao corpo esbelto, que marcam a contemporaneidade, parecem estar afetando também jovens do sexo masculino, que acabam desenvolvendo transtorno alimentar. Há pouco conhecimento sistematizado acerca de como essas mudanças são vivenciadas ou percebidas e como as experiências corporais afetam a imagem que eles constroem acerca de sua corporeidade, além de constituir-se um tabu no universo masculino (ANDRADE E SANTOS, 2009).

A anorexia nervosa-AN em homens exige uma discussão à parte. Seus achados apontam que esses indivíduos, apesar de terem histórias de bom desempenho durante a vida, tendem a apresentar dúvidas acentuadas sobre sua adequação e competência pessoal. Assim, ao controlarem o peso mantêm o sentimento de que podem controlar pelo menos a si próprios (ANDRADE E SANTOS, 2009).

Em relação a estudos que abordaram questões de gênero, verificou-se que a homossexualidade masculina era fator de risco para desenvolvimento de TA. Um estudo realizado nos Estados Unidos constatou que cerca de 20% dos homossexuais masculinos sofriam de algum tipo de TA, enquanto outro estudo identificou 42% dos homens com bulimia nervosa-BN em tratamento no Hospital Geral de Massachussets, com orientação homossexual. No presente estudo, apesar da baixa frequência de declaração de homossexualidade, 3% de todos que se declararam homossexuais apresentaram risco de desenvolverem AN e/ou BN, além de apresentarem insatisfação de leve a moderada com a imagem corporal (SANTOS e FRASSON, 2010).

Considerando as questões sociais e culturais relacionados à obsessão pelo corpo, bem como a imposição por padrões estéticos rígidos que marcam a contemporaneidade e que afetam tanto mulheres como homens. Conclui-se que há necessidade de ampliar a discussão do tema para propiciar maior esclarecimento sobre o mesmo e consequentemente um melhor atendimento à demanda que envolve o sexo masculino, uma vez que o mesmo também está sujeito à influência das variáveis que mantêm o transtorno alimentar. Espera-se contribuir com a comunidade social sugerindo ampliação dos estudos sobre transtornos alimentares em homens e a realização de um estudo clínico randomizado-ECR, para melhorar a compreensão do fenômeno.

 

Fonte Psicologado.

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