Ansiedade: quando se torna Patológico?

Vivemos na era da ansiedade, nunca se ouviu falar tanto dela. É bem provável que você conheça alguém que sofra ou já sofreu com seus sintomas. A ansiedade é uma reação normal do organismo a estímulos que são percebidos como perigosos. Reações emocionais e fisiológicas como medo, palpitação, sudorese, calafrios entre outros são comuns quando estamos ansiosos, a questão é: quando essas sensações ultrapassam a normalidade e se tornam patológicas?

Apesar de todo desconforto a ansiedade é funcional e foi imprescindível para a sobrevivência dos nosso ancestrais. Segundo Leahy (2011), os psicólogos evolucionistas analisaram a função do medo para determinar como ele pode ter servido para nos guiar ou nos proteger em certas situações e o fato é que as preocupações do homem das cavernas eram adaptativas. Lembre-se que naquela época os lugares altos eram perigosos, a comida poderia estar contaminada, era arriscado ofender estranhos, não se atravessava um campo aberto onde os leões pudessem vê-lo e se conseguia evitar morrer de fome guardando alguma comida para o inverno. Quem não fosse ansioso o suficiente não sobreviveria .

Com a civilidade do ser humano, outros perigos apareceram e ocuparam o lugar daqueles que estressavam nossos ancestrais . Hoje em dia tememos a competitividade social, a segurança, a competência profissional, a sobrevivência econômica, as perspectivas futuras e mais uma infinidade de ameaças abstratas e reais. A Ansiedade surge em nosso cotidiano como um sentimento de apreensão, uma sensação de que algo está para acontecer, ela representa um contínuo estado de alerta e uma constante pressa em terminar as coisas que ainda nem começamos. Estamos constantemente “vivendo” no futuro (Ballone, 2005).

A ansiedade tem uma função importante em nossas vidas, ela nos faz fugir ou lutar quando nos sentimos ameaçados. Imagine se você não tivesse medo ou ansiedade? Você não se importaria em andar tranquilamente por um parapeito no décimo andar de um prédio ou fazer investimentos altos de risco, o medo e a ansiedade nos fazem ser mais prudentes. O problema não é a ansiedade em si, mas quando ela se apresenta em momentos em que não estamos diante de um perigo real ou o medo e a reação em relação ao estressor são desproporcionais trazendo, dessa maneira, prejuízos sérios a vida de quem sofre.

O transtorno de ansiedade é muito mais grave do que estar sujeito às preocupações do cotidiano. As pessoas que sofrem desse transtorno frequentemente se descobrem incapazes de trabalhar de modo eficaz, de ter uma vida social, de viajar ou ter relações estáveis. Estudos têm demonstrado que cerca de 70% das pessoas que sofrem de ansiedade não fazem tratamento ou o recebem inadequadamente, o que pode ser devastador . A ansiedade quando não tratada debilita muito a vida das pessoas levando ao alcoolismo ou abuso de drogas, à depressão e à incapacidade funcional (Leahy, 2011).

Os transtornos de ansiedade são classificados de acordo com seu grupo particular de sintomas, sendo eles: a fobia especifica, o transtorno de pânico, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), transtorno de ansiedade social (TAS) ou fobia social e transtorno de estresse pós traumático (TEPT). Apesar de diferentes nomes todos eles representam a ansiedade se manifestando frente a estímulos causadores diversos.

Segundo Ballone (2005), os sintomas mais comuns associados à ansiedade crônica podem ser listados como abaixo :

01 – tremores ou sensação de fraqueza

02 – tensão ou dor muscular

03 – inquietação

04 – fadiga fácil

05 – falta de ar ou sensação de fôlego curto

06 – palpitações

07 – sudorese, mãos frias e úmidas

08 – boca seca

09 – vertigens e tonturas

10 – náuseas e diarreia

11 – rubor ou calafrios

12 – polaciuria (aumento de número de urinadas)

13 – bolo na garganta

14 – impaciência

15 – resposta exagerada à surpresa

16 – dificuldade de concentração ou memória prejudicada

17 – dificuldade em conciliar e manter o sono

18 – irritabilidade

Pesquisas tem demonstrado que a terapia cognitivo comportamental é efetiva e fundamental no tratamento dos diversos transtornos de ansiedade (Norton e Price, 2007). Segundo Prata (2012), a psicoterapia deve ser instituída assim que o transtorno de ansiedade é diagnosticado, pois tem como objetivo a alteração comportamental e cognitiva envolvendo vários componentes essenciais que contribuem para o sucesso deste tipo de tratamento, tais como: psico-educação, que envolve a natureza do medo e da ansiedade; a monitorização dos sintomas; a reestruturação cognitiva e a exposição ao estímulo responsável pelo medo e ansiedade de forma a prevenir a recaída do paciente (Arch e Craske, 2009 apud Prata, 2012). Quando a psicoterapia não se mostra suficiente como monoterapia deve ser associada à terapêutica farmacológica.

 

Autor: Camilla Boa Sorte

 

Atendimento via WhatsApp!