Amor Romântico: a essência da procura do ser amado

  1. Introdução

O que faz com que o indivíduo em uma relação afetiva crie expectativas acerca do outro, influenciando-o e originando consequências na vida dele mesmo e do ser amado?
O estudo sobre o amor ainda é um assunto atual, mesmo sendo um sentimento comum entre os seres humanos. Observa-se ao longo da vida que é experimentado de maneiras diferentes dando origem a muitas idealizações. Este artigo visa investigar sobre os diversos conceitos de amor, bem como as projeções feitas por quem ama e está envolvido em uma relação adulta e jovem através da análise de como o “amor romântico” está presente nestes relacionamentos pós-modernos, onde as vivências amorosas influenciam o estado emocional, profissional e social.
Como os seres humanos vivem em conflitos, suas relações também serão cheias de conflitos, tanto conscientes como inconscientes. Todos os comportamentos humanos são regidos por impulsos, estes impulsos não são sentidos, o que se sente é a emoção que representa este impulso, como: raiva, excitação e medo. Esta emoção é conflitada com algo que apenas os seres humanos apresentam, chamada por Gaudêncio (1994) de consciência moral. Sendo esta consciência moral absolutamente presente no ser humano e responsável pela frequente mudança de comportamentos.
A constante mudança de comportamento que se observa nos jovens na passagem da infância para adolescência e durante toda a adolescência, como a tentativa de manutenção dos costumes e normas, segundo Gaudêncio (1994), é um exemplo claro destes conflitos. No caso do adulto, estes conflitos encontram-se no nascimento de filhos, no crescimento deles, na mudança de emprego ou de cidade. Então, a expectativa de que todas as normas continuem as mesmas, e de que o comportamento do ser continua o mesmo é apenas ilusão.
Em um relacionamento, estas normas estão presentes, na imposição de limites que possibilita as margens do direito do outro. Se não há esta imposição de limites, o resultado será o fim da relação, pois a partir do momento que houver a invasão do espaço do outro sem sua autorização, é provável que aconteça situações que gerem impulsos causadores de ressentimentos, mágoas e até depressão, estas sensações acumuladas causam o fim da relação e a destruição do ser. Caso existam limites, ambos terão espaço e privacidade para viver.
O conflito faz parte da vida. E é sonho, apenas sonho, pensar em ser feliz quando os conflitos acabarem. Todo o mundo tem esse sonho. Mas os conflitos não acabam nunca. São da essência do ser humano. Há, portanto, em toda a pessoa, um conflito entre sua parte animal, que produz impulsos, e sua consciência moral, ou seja, as normas pelas quais ela pauta sua vida. (GAUDENCIO, 1994, p. 20)  
Quando há o fim do relacionamento, é normal associar o individuo frustrado a um individuo doente. Isto porque frustração causa uma dor, que pode ser forte ou fraca, dependendo da compensação que a substitui. Se esta for realmente muito compensatória, a frustração será esquecida. A frustração geralmente acontece porque as pessoas tendem a não se manter inteiras na relação, ou seja, não amam por inteiro. Se na relação, os envolvidos se manterem inteiros, eles serão capazes de vivenciar dentro deste relacionamento tudo o que eles podem oferecer fazendo com que seja construído o amor e tudo que vem atribuído a ele. A partir disto é que eles vão se autoconhecer realmente.

  1. Os Conceitos de Amor Romântico e as Influências do Narcisismo

Cardella (1994), ao estudar o amor romântico tem a intenção de compreender a idéia de que um indivíduo sempre espera algo de quem ama, resultando no fato das pessoas desencadearem alguns distúrbios de contato que causam dificuldades para amar, citados por ela: projeções, idealizações, estado de confluência e estado de proflexão.
As projeções que são feitas do ser amado implicam em exigências inconscientes de que o outro satisfaça todas as suas necessidades. Idealizações que consideram o ser amado como um deus, um salvador, ou em oposição, como um destruidor, egoísta, dependem do conteúdo que são projetadas. Em outros casos, encontra-se o chamado estado de confluência, onde os parceiros exigem semelhanças e não toleram diferenças entre eles. A espera da realização pessoal através do parceiro é o estado de proflexão, que consiste no desejo que o individuo possui de que os outros sejam ou ajam de acordo com seus anseios, onde existe a possibilidade de manipulá-los para obter o que precisa ou deseja.
Enquanto Cardella (1994) prioriza os fatores internos que atingem a relação, Costa (1998) abrange também os fatores externos fazendo seu estudo sobre o “amor romântico”, criticando e dividindo-o em idealismo e realismo. Na visão idealista, a realidade de amor se constrói a partir de relações que exibem projeções e expectativas direcionadas ao ser amado e que se encontram distante do que é concreto, pois nesta relação nenhum fator externo a influencia. Já na visão do realismo é fortalecida a idéia de que a relação não se limita ao casal, pois fatores externos (trabalho, família, entre outros) influenciam na permanência ou no rompimento do relacionamento, e no caso do rompimento da relação suas consequências podem ser amenizadas e compensadas, “Idealismo e realismo, neste caso, significam duas maneiras de descrever o amor” (COSTA, 1998 p.132).
Estar apaixonado, portanto, não é algo direcionado a outro ser humano tal como ele é, mas sim aos próprios ideais, sonhos e fantasias, o que caracteriza a paixão como um fenômeno de natureza egocêntrica.
No caso de uma relação amorosa, o indivíduo que se encontra no estado de paixão e de idealizações de um ser perfeito acerca do seu parceiro, mesmo quando se depara com os defeitos deste, continua se relacionando com o real como sendo seu ideal. Assim, mesmo que a idealização não seja concretizada consequentemente está perdido dentro de seu psiquismo, não vivendo o luto de sua idealização, causando-lhe assim, frustrações futuras, tornando o relacionamento não um remédio e sim uma incerteza permanente. Como afirma Freud (1996): “O objeto talvez não tenha realmente morrido, mas tenha sido perdido enquanto objeto de amor” (p. 251).
Em uma relação amorosa os parceiros precisam se sentir livres para encerrar o vínculo afetivo quando sentirem que é o necessário, pois para que estes estejam juntos precisa-se do consentimento dos dois, porém para que esta relação termine, necessita-se apenas da insatisfação de um dos envolvidos. A invocação de amor ao próximo como a si mesmo, é um preceito fundamental da vida social, que resulta na contrariedade do tipo de razão que a sociedade promove: a razão do interesse próprio e da busca da felicidade.
O amor é sempre feito de paixão e razão, já que é uma crença emocional. Entretanto, uma vez que o amor é crença sobre o que tem relevância moral, o problema é definir ‘o que devemos’ amar no objeto amado, ou seja, que propriedades deve ter quem amamos com paixão e com razão (COSTA, 1998 p.179).
2.1. O Amor Romântico em Outras Épocas 
A diferença entre amor apaixonado e amor romântico se dá pelo fato do amor romântico ser bem mais culturalmente específico. De uma maneira generalizada, a idéia do amor romântico que surge na Idade Média (meados do século XII) transmite a crença de que o verdadeiro amor envolve a adoração do seu amado, envolvendo-o em uma combinação de crenças, atitudes, expectativas e idéias. Porém o amor romântico que surge a partir do final do século XVIII, aparece como um tipo de fórmula que introduz o amor como uma narrativa para uma vida individual.
O termo “romance” deriva do francês “romans”, que se refere às grandes histórias de amor que deram o tom da literatura ocidental do século XII. Na Idade Média, a visão do amor cortês sofreu grande influência das idéias religiosas. Os relacionamentos entre homens e mulheres tinham como base o ideal de masculino e feminino perfeitos, como o parceiro adorado, “O divino estava personificado no humano” (CARDELLA, 1994, p. 34). Tendo assim a idéia de romance um importante papel, pois o sentido assumido no século XIX, tanto expressou como foi influência para mudanças seculares que atingiu a vida social em sua totalidade.
Na realidade da Europa pré-moderna, o amor não era um fator relevante, se conquistado seria durante a vida conjugal, pois a maior parte dos casamentos eram feitos, não sobre a base da atração sexual mútua, e sim da situação financeira, onde não haviam decepções e ninguém pensava em se separar. Entre pobres, o casamento era uma forma de contribuir para o trabalho agrário, sendo improvável que uma vida de trabalho pesado fosse capaz de se direcionar a um cenário de paixão sexual e amor verdadeiro.
O amor apaixonado, diferente de sua utilização originária que significa paixão religiosa, possui uma capacidade de encantamento que afeta as relações pessoais e se mostra sempre libertador, porém apenas de modo a desfazer uma rotina, desprendendo a pessoa de deveres.
A liberdade sexual tinha relação recíproca com o poder, tornando-se uma expressão de poder. Em certas épocas e locais em meio a camadas aristocráticas, as mulheres não precisavam necessariamente exercer a função de reprodutoras e eram liberadas do trabalho cotidiano, resultando na busca da independência do prazer sexual, levando em consideração que este fato jamais esteve relacionado com o casamento. Diante desta afirmação, as mulheres da época carregavam a mensagem de que aqueles que buscam criar ligações duradouras devido a um amor apaixonado são condenados.
Já na cultura ocidental contemporânea, a expressão amor romântico é utilizada para se referir a maioria das formas de atração entre os gêneros, geralmente homens e mulheres. Isso se pode observar claramente como o ideal de amor influencia os relacionamentos em todas as épocas.
O “amor romântico” é associado à intensa busca pelo outro, significando também uma constante busca em que a autoidentidade espera a sua valorização a partir da descoberta do parceiro, é como se sua existência só fosse validada ou percebida a partir do momento que esse vazio de busca for preenchido.
2.2. Os Gêneros nas Relações Pós-Modernas
A sociedade atual caracteriza-se individualizada, hedonista e consumista, de maneira que os relacionamentos são ambíguos, pois transitam entre o sonho (busca do prazer pleno) e o pesadelo, e não há um ponto que determine aonde um vá se transformar no outro. Quando existe a duração do relacionamento, e este é levado a um compromisso mais seguro, existe a dúvida que se resolve e esta incerteza é substituída por uma “garantia” de que esses atos realmente têm uma importância que ultrapassam o seu próprio espaço de tempo trazendo consequências que podem durar mais do que suas causas.
Quando ocorre o fracasso em um relacionamento, que é comum principalmente pela rotina que gera a monotonia, ocasiona o fracasso da comunicação, fazendo com que um dos parceiros passe a buscar fora da relação o prazer não alcançado, objetivando a busca pela capacidade de fazer loucuras e idealizações, novamente, pois o individuo da atualidade não suporta o desprazer (pesadelo). Esta esperança presente no relacionamento que se encontra gasto impossibilita o casal de viver satisfatoriamente e origina constantes frustrações, “ou então só se vive essa alternância de esperanças e decepções, na qual o medo (já que não há esperança sem temor) não cessa de nos afligir” (COMTE-SPONVILLE, 2006 p. 51).
O medo, em uma relação, é exposto, principalmente em situações que demonstram autonomia. O medo é uma das sensações mais importantes do ser humano, se não a mais importante, servindo como um alerta. A agressividade presente no homem é um complemento do medo que por sua vez complementa o afeto. Ser agressivo em uma relação, de forma sadia, significa colocar limites.
Os meios de comunicações atuais enfatizam a idéia de que a separação do ser amado significa o maior medo do amante, sendo assim muitos fariam qualquer coisa para se ver livres permanentemente do sentimento da ausência, ou da despedida. Como este não é um fator individual, é visto que os relacionamentos se tornam cada vez mais fluidos, rápidos e superficiais.
A conquista da liberdade sexual e a modernização sofrida ao longo das décadas facilitaram a comunicação e o encontro das pessoas. Se por um lado aumentou os encontros amorosos, por outro os tornou cada vez mais instáveis. A norma de sofrimento que existiam nos relacionamentos frustrados de outras épocas, foi substituída por relacionamentos que são quase imunes a elaAo menor sinal de descontentamentos, há uma grande probabilidade de rompimento dos laços amorosos e a busca por outro parceiro “ideal” que vai “suprir todos os desejos” daquela pessoa, atribuindo à sociedade uma característica consumista.
Embora a expressão do amor apaixonado marque uma influencia sobre a vida cotidiana, com a qual ele tende a se conflitar, a relação com o outro se dá de forma invasiva, sendo tão forte que leva o individuo ou ambos a deixar de lado hábitos que em seu cotidiano normal são obrigatórios.
Assim, observa-se um grau significativo de que a igualdade sexual da mulher, especificamente, depende do fato de que hoje é comum que a mulher tenha vários relacionamentos antes de priorizar um envolvimento sexual e afetivo sério. E pelo fato de se manterem em constante procura desde jovem, pois logo após o fim de um relacionamento inicia-se outro, é possível observar que ao fim da adolescência muitas garotas já tiveram suas primeiras decepções amorosas e estão tomando consciência que o amor não pode mais ser vinculado à permanência.
Estando, hoje, em uma sociedade bem informada e evoluída, as meninas costumam deixar de lado a visão “romântica” sobre tudo e começam a perceber outras importâncias, como um bom desempenho profissional. O domínio masculino foi desfeito a partir da separação entre o lar e o local de trabalho, contribuindo para o crescente desenvolvimento da mulher em relação a suas novas conquistas de intimidade, possibilitando a junção dos ideais de maternidade e de independência, “os ideais do amor romântico, ao contrário, inseriram-se diretamente nos laços emergentes entre a liberdade e a auto-realização” (GIDDENS, 1993, p.50).
A diferença entre os gêneros, na forma de vivenciar e “encarar” as relações afetivas, já foi, várias vezes, motivos de estudo e pesquisas. Na atualidade, é notável que enquanto garotas ainda tratam as questões afetivas com entusiasmo e conseguem transformar experiências amorosas em grandes narrativas, os garotos continuam tratando o mesmo assunto como uma experiência natural e ainda são quase incapazes de falar de amor.
O romance, nas idéias de Giddens (1993), muitas vezes esperado por jovens, consiste em uma idealização de um futuro antecipado. De fato, é ele que liga a sexualidade a essa projeção. Portanto, enquanto para os garotos o sexo é apenas um adicional em suas vidas e um símbolo da capacidade masculina, para as garotas a virgindade é uma questão de entrega, e esse momento é muito idealizado por boa parte delas.
Mesmo com a mudança relativa do pensamento, inconscientemente a busca feminina ainda é do “nós”, enquanto que para os meninos as relações são, muitas vezes, satisfação do “eu”. Mas, assim como o pensamento feminino foi mudando com o passar dos tempos, o dos homens também mudou. Alguns deles foram influenciados pelo desenvolvimento do ideal de amor romântico, porém de um modo diferente do que nas mulheres. O homem, denominado de romântico, não trata as mulheres como iguais, ele é senhor de uma mulher só, sendo raros e encontrados em todos os séculos.
Mas se referindo a outra totalidade dos homens, uma única pergunta, simples e clara, tem direcionado vários pensamentos: O que os homens desejam?. E a resposta vem de vários lados. O homem busca status perante os outros homens. Os homens procuravam obter autoidentidade. Os homens queriam algo que as mulheres já haviam conquistado que seria a confiança emocional. “Talvez a própria idéia de ‘relacionamento’ contribua para esta confusão” (BAUMAN, 2004 p.11).
De forma inconsciente, predetermina-se o modo como deve ser vivenciado um relacionamento, inevitavelmente pensando no que deve ser sentido e até mesmo no beneficio que esta relação trará para si. Todavia, o amor romântico não se limita apenas a amar alguém, mas também estar apaixonado, pois a condição de apaixonado possibilita que o ser acredite ter encontrado o verdadeiro sentido de sua vida que é revelado em outro ser humano, causando a sensação de tornar-se completo que vem junto a uma vibração inexplicável.
Porém esta empolgação passageira também desencadeia uma profunda sensação de solidão e frustração que é causa da deficiência que o ser humano possui de construir relacionamentos afetuosos que se baseiam em compromisso e a culpa destas frustrações é sempre colocada no outro envolvido. Segundo, Werther apud Goethe:
Nossa imaginação, inclinada por natureza a exaltar-se, e, ainda, excitada pela poesia, dá corpo a uma escala de seres onde ocupamos sempre um lugar insignificante. Tudo o que está fora de nós parece mais belo, e todos os homens mais perfeitos do que nós. E isto é natural porque sentimos demasiado as nossas imperfeições, e os outros sempre parecem possuir precisamente aquilo que nos falta. Desse modo, nós lhes concedemos tudo o quanto está em nós mesmo, […] E assim criamos nós mesmos um conjunto de perfeições que por sua vez cria nossos tormentos (2002, p.61-62).
Giddens (1993) diz que mesmo sendo de modo diferente do das mulheres, os homens se apaixonam agora e ao longo de toda a história. Este adjetivo de romântico foi adquirido durante os dois últimos séculos. Eles são sonhadores influenciados a partir do poder feminino, abandonaram a divisão entre mulher imaculada e impura, que é tão central da sexualidade masculina. Sendo submissos a uma mulher em particular, (ou a uma sequência de várias mulheres) constroem a sua vida ao redor dela, onde sua inferioridade não é uma atitude igualitária.
O romântico não é alguém que compreende a natureza do amor, ele apenas possui um modo de organizar a vida pessoal em relação ao futuro e a construção da autoidentidade. Para a maior parte dos homens o conceito de amor e o ato de amar entram em conflito com as regras de sedução. Mesmo com toda esta resistência, os homens possuem dentro de si o amor por mais primitivo que sejam de alguma forma eles expressam este sentimento em algum momento, pois como já foi mencionado este sentimento é fundamental para vida do individuo e independente do sexo encontra-se na essência do ser humano, como na definição de Agatão, “O amor é delicado porque não caminha no chão nem anda sobre as cabeças, […] mas caminha e habita em tudo o que o universo tem de mais delicado: os corações e as almas dos deuses e dos homens.” (PLATÃO, 1956 p.48)
As mulheres, por terem conquistado seu espaço entre os homens, fato ocorrido no momento em que teve acesso ao mercado de trabalho, passou a não ser mais submissa, porém autosustentável. Esta mudança se deu no estado consciente, onde ainda estão se desenvolvendo no inconsciente, e esta se encontra sendo feita gradativamente. As mulheres da sociedade atual não excluíram de sua essência o romantismo e suas projeções, e por mais independentes que tenham se tornado, continuam entendidas como o lado sensível da relação e realmente são elas que, na maioria das vezes, dão sentido a relação fazendo com que seja duradoura.
É importante ressaltar que estas mudanças ocorridas com as mulheres, fizeram com que houvesse a valorização delas mesmas, percebendo que o investimento no aprofundamento de uma relação acontece na mesma proporção em que há uma reciprocidade de afeto e do gostar, da pessoa com quem está se envolvendo. O respeito e a vontade de crescer juntos são pilares fundamentais para que uma relação possa amadurecer e se tornar um relacionamento duradouro. Cardella (1994) reforça esta idéia quando apresenta:
A vivência dos aspectos femininos dá sentido a nossas vidas. Torna os relacionamentos mais profundos, amorosos e gratificantes. Traz a consciência dos sentimentos, dos valores espirituais, através da interiorização e da busca da sabedoria. […] Através de seus relacionamentos apaixonados, o homem busca inconscientemente a si mesmo em alguém que simbolize a própria “alma” e torne sua vida plena e extática (p. 35).
Assim, o amor é experimentado em diversos momentos, diversas formas e intensidades. E por não haver a possibilidade de relacionamentos iguais, o amor não é algo que se aprende, espera-se apenas o momento em que aconteça, “porque ninguém pode comunicar o que não possui nem ensinar o que ignora” (PLATÃO, 1956 p. 50). Tornando-se algo complexo e independente das mudanças de cultura e de décadas, o amor é um sentimento igual, porém interpretado e expressado de modos diferentes.
 
Autores:  Maria Catarina Volite Lima  Elis Barros  Thaís Paim Marinho  Tarsila Aroucha
Referências:
BAUMAN, Z. Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004
CARDELLA, B. O Amor na Relação Terapêutica: uma visão gestáltica – São Paulo: Summus, 1994
COMTE-SPONVILLE, A. O Amor A solidão – São Paulo: Martins Fontes 2ed. , 2006
COSTA, J. F. Sem Fraude Nem Favor: estudos sobre o amor romântico – Rio de Janeiro: Rocco, 1998
GAUDENCIO, P. Minhas Razões, Suas Razões: A origem do desamor – São Paulo: Editora Gente, 1994
GIDDENS, A. A Transformação da Intimidade: sexualidade, amor e erotismo nas sociedades modernas– São Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1993
GOETHE. Os Sofrimentos do jovem Werther – Editora Martin Claret, 2002
PLATÃO. O Banquete – São Paulo: Atena, 1956
 

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