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TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo

Resumo: O TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo caracteriza-se por obsessões ou compulsões que interfere significativamente na vida do indivíduo, imposssibilitando-o muitas vezes de conviver socialmente com outras pessoas. As causas podem estar ligadas a fatores biológicos, psicológicos e com experiências precoces de vulnerabilidade. Existem evidências de que o contexto familiar contribui e influencia para o surgimento de pensamentos e impulsos que se tornam inaceitável. O tratamento pode ser feito com recursos farmacológicos e psicoterápicos, os melhores resultados são obtidos com essa combinação de recursos. É imprescindível conhecer o problema, suas características e possíveis causas para que se tenha maior controle sobre esse Transtorno e se possa intervir nas causas e obter um diagnóstico precoce. O presente artigo baseou-se na busca de livros, artigos, revistas que abordam esse tema e tem por objetivo caracterizar e reconhecer os fatores sociais e ambientais que podem levar o indivíduo a desencadear o TOC.

 

  1. Introdução

O Transtorno Obsessivo Compulsivo caracteriza-se por obsessões ou compulsões que causam acentuado sofrimento que interfere significativamente na rotina normal, no funcionamento ocupacional, em atividades sociais habituais ou relacionamentos do individuo (DSM-IV-TR).

Além de fatores biológicos e psicológicos as causas podem estar intimamente ligadas com experiências precoces que resulta em uma vulnerabilidade específica. As crenças religiosas e culturais e ainda cobranças excessivas de responsabilidade no trabalho também podem levar ao Transtorno Obsessivo Compulsivo (BARLOW, 2010).

O tratamento pode ser medicamentoso utilizando antidepressivos e/ou não medicamentoso como a terapia cognitivo-comportamental que é uma abordagem com eficácia comprovada sobre a doença. Os resultados são melhores quando utilizados os dois tipos de abordagens (VARELLA, 2013). Dentro deste contexto, questiona-se: Quais os fatores sociais e ambientais podem levar o indivíduo a desencadear o Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Neste sentido, esta pesquisa tem como objetivos: a) Caracterizar e reconhecer na literatura investigada fatores sociais e ambientais causadores do Transtorno Obsessivo Compulsivo; b) Analisar na literatura referências a situações cotidianas dos portadores do TOC; c) Investigar nas pesquisas encontradas comportamentos próprios deste transtorno; d) Identificar fatores de vulnerabilidade nos artigos e livros encontrados.

A escolha do tema deve-se ao fato de que o Transtorno Obsessivo Compulsivo é um problema presente na sociedade, embora ainda seja pouco conhecido, causa prejuízos significativos na vida do individuo implicando até no convívio social. É imprescindível conhecer o problema, suas características e possíveis causas, pois nos leva mais facilmente a encontrar subsídios para identificar e ter maior controle sobre o mesmo, já que o melhor caminho para se combater uma doença é a intervenção nas causas e o diagnóstico precoce. Um aprofundamento no assunto é fundamental para os estudiosos na área da Psicologia, pois assim pode-se cada vez mais descobrir diferentes métodos e melhorar os tratamentos, ajudando o profissional a exercer melhor o seu papel como agente de mudança na sociedade. A metodologia baseou-se na busca de livro, artigos, revistas e também pesquisas em artigos eletrônicos que abordam e complementam ainda mais esse tema.

  1. Características Diagnósticas

Até pouco tempo o Transtorno Obsessivo Compulsivo só era reconhecido em sua forma clássica, ou seja, quando as pessoas já apresentavam um quadro grave da doença. Todas as alterações de comportamento que trazem limitações sociais, pessoais ou profissionais para as pessoas devem ser tratados, independentemente da extensão e da intensidade dessas limitações. No caso do TOC, iremos encontrar sintomas desconfortáveis desde sua forma mais leve, passando pela moderada, até a mais grave (SILVA, 2004).

As características essenciais do Transtorno Obsessivo Compulsivo são obsessões ou compulsões recorrentes suficientemente graves a ponto de consumirem tempo ou causarem sofrimento ou prejuízo significativo (MANUAL PSIQUIÁTRICO, 2002).

As obsessões são ideias, pensamentos ou imagens persistentes, que são como intrusivos e inadequados e causam ansiedade e sofrimento. A qualidade intrusiva e inadequada das obsessões é chamada de “ego diatônico”. O termo refere-se ao sentimento de individuo de que o conteúdo da obsessão é estranho, não está dentro de seu próprio controle nem é a espécie de pensamento que ele esperaria ter. Entretanto o individuo é capaz de reconhecer que as obsessões são produtos de sua própria mente e não impostos a partir do exterior (MANUAL PSIQUIÁTRICO, 2002).

As obsessões mais comuns são pensamentos repetidos acerca de contaminação, dúvidas repetida, necessidade de organizar as coisas em determinada ordem, impulsos agressivos ou horrorizantes e imagens sexuais. O indivíduo com obsessões em geral tenta ignorar ou suprir esses pensamentos ou impulsos ou neutralizá-los com algum outro pensamento ou ação.

As compulsões são comportamentos repetitivos, (p. ex. lavar as mãos, ordenar, verificar) ou atos mentais (p. ex. orar, contar, repetir palavras em silêncio) cujo objetivo é prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento, em vez de oferecer prazer ou gratificação. A pessoa sente-se coagida a executar a compulsão para reduzir o sofrimento que acompanha uma obsessão ou para evitar algum evento ou situações temidas (MANUAL PSIQUIÁTRICO, 2002).

O mais raro de ocorrer é a pessoa com TOC apresentar só compulsões, sem nenhum tipo de pensamento obsessivo elaborado. Nesses casos, a manias são desencadeadas por intensa e incontrolável sensação de imperfeição, desconforto e falta de completude. Por isso, as ações são repetidas até que a pessoa experimente a sensação de que aquilo que ele está fazendo está “correto”, “perfeito” e “completo”.

Na evolução do TOC, habitualmente ocorre mudanças dos tipos de sintomas, ou seja, o individuo pode apresentar ideias fixas de contaminação com manias de assepsia de colecionismo (embalagens, bulas, entre outros) ou de verificação (portas, janelas, bicos de gás). Nesses casos, os primeiros rituais podem desaparecer em definitivo ou apenas temporariamente (SILVA, 2004).

Os portadores de TOC fazem de tudo para manter seus rituais e manias, sob controle na frente de outras pessoas. Por isso é bastante comum que eles as limitem o ambiente onde tenham total privacidade, como seu quarto ou banheiro. No entanto, quando o quadro vai se agravando ou é aguçado por algum acontecimento gerador de ansiedade ou angustia, os rituais saem totalmente de controle e as limitações trazidas pelo transtorno ficam evidentes, facilitando o diagnóstico e a busca de ajuda médica adequada (SILVA, 2004).

  1. Causas

As causas do TOC podem estar ligadas a diversos fatores. Estudos sugerem uma predisposição genética e a existência de alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais. Fatores psicológicos, históricos e familiares também estão entre as possíveis causas desses distúrbios de ansiedade (VARELLA, 2013).

As interações com diversos fatores têm fundamental importância na formação e no funcionamento das estruturas, dos circuitos e das conexões interneurais. São esses fatores tão variáveis e individuais que determinam o modo como cada cérebro vai funcionar. Uma pequena, mais significativa alteração em um ou vários desses fatores podem fazer com que o cérebro mantenha a pessoa num padrão de pensamentos fixos e comportamentos repetitivos, sem sentido, desagradáveis e difíceis de ser controlados (SILVA, 2004).

A carga genética é de fundamental importância para a constituição de nossa personalidade. Todavia, fatores ambientais como nossas vivencias interpessoais também influenciam na nossa formação pessoal. Dessa forma o ambiente familiar principalmente na infância é muito propício a aprendizagem desfavorável ou desadaptativas (SILVA, 2004). O contexto familiar contribui e influencia, pois a aquisição das obsessões se dá a partir de um ambiente familiar extremamente controlador, onde se desenvolve altos padrões de conduta e moralidade, ocasionando-se assim, o surgimento de pensamentos e impulsos que se tornam inaceitáveis (OLIVEIRA, 2010).

Pais com comportamento de medos e ansiedades têm grande probabilidade de ensinar aos filhos padrões semelhantes em função da exposição constante a esses padrões. Alguns pesquisadores acreditam ainda que o castigo excessivo por erros cometidos possa predispor pessoas a dúvidas obsessivas e rituais de checagem. Crescer observando os pais ou irmão executando rituais provavelmente leva a seu aprendizado, em maior ou menor extensão. Entretanto, a maioria dos pesquisadores concorda que só desenvolverá TOC, o indivíduo que for geneticamente predisposto a apresentar esse transtorno (SILVA, 2004).

Sabe-se ainda que fatores de natureza psicológica influenciam no surgimento, na manutenção e no agravamento dos sintomas do TOC. Os pacientes com TOC sofrem de muitos medos exagerados e aprendem que usando certos rituais ou outras manobras psicológicas como atos mentais, ou evitando o contato com as situações ou objetos temidos conseguem neutralizar seus medos, obtendo alívio da aflição que normalmente acompanham seus pensamentos (obsessões), e por este motivo passam a refleti-los mesmo que isso signifique estar mantendo ou agravando a doença (CORDIOLI E HELDT, 2003).

Têm-se cada vez mais ficado claro, certas alterações no modo de pensar, de perceber e avaliar a realidade por parte destes pacientes (distorções cognitivas). Eles tendem a supervalorizar a importância dos pensamentos como se pensar fosse o mesmo que agir ou desejar, tende a supervalorizar os riscos e as possibilidades de ocorrerem eventos desastrosos (contrair doença, perder familiares, e contaminar-se); tendem a superestimar a própria responsabilidade quanto a provocar ou prevenir eventos futuros, são perfeccionistas, tem necessidade de ter certeza, perdendo muito tempo com a preocupação de fazer as coisas bem feitas e evitar possíveis falhas ou dos rituais (pensamento mágico). Cada paciente pode apresentar uma ou mais destas distorções, que são mantidos mesmo as evidências sendo contrárias a elas, ou apesar de não terem comprovação na realidade (CORDIOLI E HELDT, 2003).

As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de aflição. Nem sempre têm conexão realística com o que desejam prevenir, por exemplo, alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça. Nesse caso, os rituais são chamados de pensamentos mágicos (CORDIOLI, 2004).

Pacientes com TOC equiparam os pensamentos com ações ou atividades específicas representadas pelos pensamentos. Isso chama “fusão pensamento/ação”. A fusão pensamento/ação pode, por sua vez, ser causada por atitudes de responsabilidade excessiva e resultar em culpa desenvolvida durante a infância em que até mesmo um pensamento ruim estava associado com má intenção. Uma paciente acreditava que pensar em aborto era o equivalente moral a fazê-lo e outro paciente admitiu ter fortes impulsos homossexuais inaceitáveis para ele e para o pai, por isso acreditavam que seus impulsos eram tão pecaminosos quanto às ações. Muitas pessoas com TOC que creem nas premissas das religiões fundamentalistas apresentam atitudes similares de responsabilidades aumentadas e fusão pensamento/ação (BARLOW, 2012).

A resistência a pensamentos faz com que o individuo, use estratégias mentais e comportamentais, como se distrair, fazer orações e verificação. Essas estratégias se tornam compulsões, mas estão condenadas a fracassar em longo prazo, porque tem efeito contrário ao desejado e aumentam a freqüência do pensamento. Acreditar que determinados pensamentos são inaceitáveis e, por conseguinte devem ser suprimidos podem colocar pessoas em um risco maior de TOC, mas para que esse transtorno se desenvolva, as vulnerabilidades psicológicas e biológicas devem estar presentes (BARLOW, 2012).

  1. Tratamento

Os prejuízos das obsessões são avaliados em termos de sofrimento, perda de tempo e desgaste de energia. Qualquer redução nestes prejuízos é uma conquista para o equilíbrio do paciente (GRUNSPUN, 2003).

Até bem pouco tempo não se dispunha de um tratamento efetivo para o TOC. Felizmente, foram desenvolvidos tratamentos que conseguem melhorar a vida de mais de 80% dos pacientes e, em muitas situações, eliminar os sintomas por completo. No entanto, alguns pacientes, infelizmente, não melhoram, ou melhoram muito pouco mesmo com os tratamentos mais modernos que consistem de uma associação de duas modalidades: recursos farmacológicos e psicoterápicos (CORDIOLI E HELDITH, 2003).

Atualmente, existe consenso de que os melhores resultados são obtidos com essa combinação de recursos. Quando o quadro clínico tem intensidade leve, podemos tentar tratar o paciente apenas com terapia cognitivo-comportamental, deixando o medicamento para o momento de maior gravidade dos sintomas. Quando o quadro clínico apresenta gravidade maior existe a necessidade de tratamento com alguns medicamentos, facilitando a programação terapêutica (LOUZÃ, ELKIS E COLS, 2007).

É importante que as pessoas que tem o TOC e seus familiares reconheçam que apenas a medicação raramente é eficaz em afastar os sintomas totalmente. Adicionar outras modalidades de tratamento ajuda a pessoa com TOC a controla-los melhor. Até o momento, parece que a medicação apenas atua no controle e não na cura dos sintomas. Quando as medicações são efetivas, a maioria dos portadores diz que estas ajudam a rejeitar as preocupações e a resistir às compulsões mais facilmente. Assim, algum esforço por parte do portador é necessário para diminuir os sintomas e a medicação ajuda nesse processo. Quando a medicação é interrompida, entretanto, os sintomas tendem a retornar dentro de algumas semanas ou meses e novamente torna-se mais difícil resistir à necessidade de realizar as compulsões. Adicionando outras técnicas terapêuticas particularmente a terapia comportamental, esses portadores terão maiores chances de conseguir tratar os sintomas com menos medicação ou até sem medicação a longo prazo (VAN NOPPEN, PATO e RAMUSSEN, 2000).

Embora poucas comparações tenham sido realizadas, a terapia comportamental é tão eficaz quanto à farmacologia no TOC, e alguns dados indicam que os efeitos benéficos são mais duradouros com a primeira. Por isso vários clínicos consideram a terapia comportamental o tratamento de escolha para o transtorno. A abordagem comportamental pode ser conduzida em situações tanto de ambulatório quanto de internação hospitalar. As principais abordagens comportamentais são a exposição e a prevenção de resposta. A dessensibilização sistemática, a parada de pensamento, a inundação, a terapia por implosão e o condicionamento aversivo tem sido utilizados em pacientes com TOC. Na terapia comportamental os pacientes precisam estar de fato comprometidos com a melhora (SADOCK, 2007).

O Tratamento Cognitivo-comportamental baseia-se no fato de que se o paciente desafia seus medos, por exemplo, expondo-se às situações que evita ou tocando nos objetos que consideram contaminados (exposição) e, ao mesmo tempo, deixa de realizar os rituais de descontaminação ou verificações (prevenção da resposta ou prevenção de rituais), em pouco tempo a ansiedade e o desconforto desaparecem espontaneamente. Repetindo tais exercícios, os medos acabam desaparecendo por completo (habituação) (CORDIOLI, 2004).

Além da exposição e da prevenção da resposta, a TCC utiliza técnicas para, correção das crenças e pensamentos distorcidos existentes no TOC, com o objetivo de realizar a assim chamada reestruturação cognitiva: treino dos pacientes na identificação de pensamentos e crenças distorcidas e disfuncionais; questionamento de tais crenças, discussão de evidências, testes quanto á sua veracidade, exposição aos pensamentos, ouvindo fitas gravadas ou escrevendo, etc. A terapia pode ser individual e, mais recentemente, vem sendo desenvolvida uma forma de tratamento em grupo. Além de comparecer às sessões nas quais recebe uma série de informações e realizam exercícios, o paciente realiza também exercícios no seu próprio domicílio ou local de trabalho. A maioria dos pacientes que faz os exercícios e completa o tratamento apresenta melhoras substanciais podendo inclusive eliminar por completo os sintomas (CORDIOLI, 2004).

Os membros da família muitas vezes chegam aos limites do desespero por causa do comportamento do paciente. Qualquer processo psicoterapêutico deve incluir atenção aos membros da família para a provisão de apoio emocional, asseguramento e explicações e conselhos de como manejar e responder ao paciente (SADOCK, 2007).

A intervenção da família é um importante complemento aos tratamentos farmacológico e comportamental. Uma forma de tratamento que tem sido efetiva é o grupo de apoio psicoeducacional multi-familiar. Este é um grupo formado por membros da família e pessoas com TOC com o propósito de aprender sobre TOC, o seu impacto nas famílias e estratégias para lidar com isso (VAN NOPPEN, PATO E RAMUSSEN, 2000).

Recomenda-se não diminuir ou descontinuar o tratamento psicofarmacológico do TOC antes de pelo menos um ano. Após esse período, o medicamento deve ser diminuído lentamente, em torno de 25% da dose a cada dois meses (LOUZÃ, ELKIS e COLS, 2007). Durante a descontinuação, também é recomendado acompanhamento médico mensal e auxílio de sessões de terapia cognitivo-comportamental (LOUZÃ, ELKIS e COLS, 2007).

Vale resaltar que, os pacientes que têm um transtorno crônico e que apresentem uma boa resposta usando apenas medicação, os especialistas recomendam manter o tratamento pelo menos durante um ano depois do desaparecimento dos sintomas. Caso tenham realizado também terapia cognitivo-comportamental devem manter, pelo menos, por mais 6 meses. Depois deste período, recomenda-se uma retirada gradual, retirando 25% da droga a cada dois meses. Em pacientes que tiveram 3 ou 4 recaídas leves ou moderadas ou 2 a 4 recaídas severas, estuda-se a possibilidade de manter a medicação por períodos maiores ou talvez por toda a vida (CORDIOLI, 2004).

É importante lembrar que estes medicamentos não provocam dependência (não viciam), embora possa haver algum desconforto se eles forem suspensos abruptamente (síndrome da retirada). Não há problemas maiores em se utilizar por longos períodos. É importante comunicar ao médico todos os demais medicamentos que, eventualmente, estiver utilizando, pois podem ocorre algumas interações importantes (CORDILI, 2004).

Para casos extremos, resistentes ao tratamento e cronicamente incapacitados, a eletroconvulsoterapia (ECT) e a psicocirurgia podem ser consideradas (SADOCK, 2007). A psicocirurgia é um dos tratamentos mais radicais para o TOC. “Psicocirurgia” é um termo incorreto que se refere à neurocirurgia para um transtorno psicológico. Levando-se em conta que pacientes não tenham nenhuma esperança, qualquer que for seu tratamento, a cirurgia merece ser considerada um último recurso (BARLOW, 2010).

  1. Considerações Finais

O presente estudo de caráter teórico baseou-se em livros, artigos e revistas, buscando informações a respeito do TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo, para apresentar as características diagnósticas, possíveis causas e tratamento.

O TOC é um problema presente na sociedade e ainda pouco conhecido, pois ele é erroneamente confundido inicialmente com manias, mais que causam grandes prejuízos na vida do indivíduo quando o caso já está avançado, e quando este passa a interferir significativamente na rotina normal e em atividades sociais, habituais e relacionamentos do indivíduo.

O aprofundamento no assunto deveu-se ao fato da caracterizar, analisar, investigar e identificar suas características e possíveis causas, e mais facilmente encontrar o melhor caminho para se combater esse transtorno com o diagnóstico precoce, pois é de fundamental importância descobrir diferentes métodos e melhorar os tratamentos, no sentido de uma pesquisa aprofundada a esse problema causador de prejuízos na vida do indivíduo.

As características principais do TOC são obsessões e compulsões graves que passam a fazer parte da vida do indivíduo, causando sofrimento, consumindo bastante tempo de sua vida e impedindo-o de realizar suas tarefas normais.

As obsessões são ideias, pensamentos ou imagens persistentes que fogem do controle do individuo, que o mesmo tenta ignorar ou suprimir esses pensamentos ou impulsos ou neutralizá-los com algum pensamento ou ação.

Na tentativa de prevenir ou reduzir a ansiedade ou sofrimento causados pelas obsessões o indivíduo realiza atividades compulsivas. As compulsões são comportamentos repetitivos como: lavar, limpar, observar entre outros, que com o passar do tempo as tornam excessivas podendo vir a ser uma importante atividade na vida da pessoa, levando a sérias deficiências no seu cotidiano.

Das causas mais comuns confundidas com manias, o TOC está ligado a diversos fatores e os estudos de pesquisas mostram uma predisposição genética e a existência de alterações na comunicação em determinadas zonas cerebrais. Está ligado também a fatores psicológicos, históricos e familiares que causam esses distúrbios de ansiedade. Se a carga genética é fundamental para a construção da nossa personalidade, as nossas vivências interpessoais também influenciam na formação e no funcionamento das estruturas, dos conceitos e das conexões interneurais, acarretando a partir daí a compulsão por experiências observacionais que dão origens a desordens obsessivo-compulsivas, muito propícias em pessoas com base em crenças irracionais.

O ambiente é fator importante no que diz respeito ao desencadeamento do TOC, pois influencia na nossa formação pessoal, podendo assim, ser propício para aquisição de obsessões, quando há cobranças excessivas.

Atualmente, o tratamento disponível para o TOC consiste de dois recursos: farmacológico e psicoterápicos, sendo que os melhores resultados são obtidos com essa combinação de recursos. Quando o quadro clínico tem intensidade leve o paciente pode ser tratado apenas com terapia cognitivo-compotamental. Quando o quadro clínico apresenta a gravidade maior existe a necessidade de tratamento com medicamentos, facilitando a programação terapêutica. É alto o índice de recaídas se houver interrupção da medicação, quando ela está sendo utilizada isoladamente. Em até 90% dos pacientes ocorre um retorno dos sintomas 4 meses após a descontinuação do medicamento.

Aparentemente, esta recaída é maior do que a que ocorre com pacientes que realizaram terapia cognitivo-comportamental, razão pela qual sempre é recomendável utilizar os dois tratamentos ao mesmo tempo. Mesmo durante o uso do medicamento, embora seja mais raro, podem ocorrer recaídas ou piora dos sintomas.

A família, no entanto, pode se transformar em um suporte importante para o diagnóstico e tratamento do TOC. Pode auxiliar a identificar rituais encobertos e não percebidos pelo próprio paciente, na elaboração das listas de rituais e de evitações (essencial para a terapia cognitivo-comportamental). Para tanto, é necessária a compreensão de como se dá o processo de controle, conhecer o fenômeno da habituação – a aflição passa, por mais elevados que sejam seus níveis, e é suportável. É fundamental o apoio às tentativas de exposição e prevenção de rituais e à adesão ao tratamento, além da paciência e tolerância para eventuais aumentos de ansiedade ou retrocessos do paciente.

Se houver um familiar com o qual o paciente tenha uma melhor relação, este poderá ser escolhido, em acordo com o terapeuta, para apoiar na realização das tarefas.

Uma forma que tem sido efetiva é o grupo de apoio Psicoeducacional multifamiliar onde os membros da família aprendem estratégias de como lidar com o familiar que possui o TOC. Existe ainda a psicocirurgia para casos extremos de pacientes que não tem nenhuma esperança. A psicocirurgia refere-se à neurocirurgia para transtorno psicológico sendo que ela deve ser considerada como último recurso.

Durante o estudo e levantamento bibliográfico foi possível observar algumas contradições nos artigos, pois alguns expõem que ao identificar as características encontram o melhor caminho para cura, já em outros afirmam que não há cura e sim tratamentos que minimizam os pensamentos compulsivos, ajudando assim no controle da doença.

Diante de tudo que foi exposto, é bom ressaltar a importância de conhecermos esse transtorno para melhor intervenção e consequentemente maior controle sobre o mesmo, já que o melhor caminho para se combater uma doença é a intervenção nas causas e o diagnóstico precoce. Conhecer melhor as manifestações desse transtorno poderá propiciar novos procedimentos, voltados para recuperação, assim como a geração de ações preventivas visando minimizar sua incidência.

Autores:  Felipe Almeida de oliveira  Luciana de Brito Macedo  Rosângela Maria Gonçalves dos Santos |

 

 

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