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O Ciúme: Suas Causas e Consequências nos Relacionamentos Conjugais

Resumo: O ciúme é um tema que gera muita discussão na população em geral. Ele é um sentimento egoísta onde a pessoa que está acometida desse mal se sente incapaz de obter a atenção da pessoa amada. Neste artigo, foi realizada uma revisão de literatura em outros artigos e livros, além de revistas e sites relacionados ao tema, e será discorrido sobre os três tipos de ciúmes, Normal, o Neurótico e o Delirante (Paranóico). Onde o normal é aquele que ocorre quando a pessoa amada dá motivo para o parceiro sentir ciúmes. O neurótico é aquele cujo o sentimento de angústia é permanente. Aqui o ciumento tem consciência de que seu ciúme é exagerado, mas não consegue se controlar. E o terceiro caso, onde é visto como o mais grave e de maior preocupação, pois é aquele onde o indivíduo fantasia uma possível traição podendo ser agressivo e até mesmo cometer insanidades contra o parceiro. Além disso, falará sobre o ciúme e sua divergência entre Homens e Mulheres; quando o ciúme se torna patológico e necessita de Tratamento Psicológico e/ou Psiquiátrico para uma melhora significativa do quadro; as causas do ciúme e por fim as consequências que este sentimento pode trazer no relacionamento conjugal

1. Introdução
O ciúme acompanha o ser humano durante toda sua vida, seja ciúme de irmãos, seja ciúme de pais ou mais forte e duradouro o ciúme do parceiro. Ser ciumento muitas vezes é considerado pelas pessoas como uma demonstração de amor verdadeiro.
O ciúme costuma ser visto pela população em geral como uma “prova de amor”, um sentimento normal e inseparável para quem ama de verdade, afinal “quem ama, cuida”. Porém, se levarmos em conta, como afirma Santos (2002, p.76), que o amor é um sentimento voltado para o outro, onde se quer o bem de quem se ama acima de tudo, percebemos que o ciúme é na realidade uma distorção desse zelo, pois é um sentimento autocentrado, onde se tem medo de perder a exclusividade sobre a pessoa amada.
Deste modo, segundo Santos (2002, p.76) o ciúme pode existir em três níveis diferentes, que vai do “sentir-se enciumado”, onde este é visto como algo normal, até sua forma mórbida, que entraria em um quadro de paranóia, sendo uma forma de delírio obsessivo. Este último, causa um sofrimento psíquico insuportável para quem sente, e grandes riscos de violência para quem padece sob o ciumento paranóico.
Assim, devemos procurar compreender o funcionamento desse sentimento na psique do ciumento, como ele pode se manifestar nas diversas relações, suas consequências e acima de tudo, ficar atentos para jamais deixar-se confundir algo que pode ser patológico e perigoso, como uma maneira de manifestar o amor.
Poucas pesquisas científicas a respeito do Ciúme Patológico foram encontradas, mas entre as tais pode-se citar o artigo de Santos, (2002); o livro de Alves, (2001); o artigo de Teixeira, (2009); e outro artigo de Tiemi, (2005). Como pôde-se assim observar, não há pesquisas recentes relacionadas ao tema, e a maioria destas focam mais no que diz respeito ao Ciúme e incidência de Crimes Passionais, deste modo percebe-se a necessidade de um trabalho de investigação que busque verificar o que a literatura aponta sobre essa temática e assim fazer com que a população pare de confundir esse sentimento como algo normal.
2. Método
Trata-se de um artigo de revisão de literatura com pesquisas em livros, revistas, artigos acadêmicos e em sites de busca com as palavras chaves “Ciúme; Ciúme Patológico; Relacionamentos Conjugais; Crimes Passionais”, datados a partir de 2000 à 2013.
3. Desenvolvimento
3.1 O Ciúme
Ciúme é um tema que gera bastante discussão na população em geral, pois, todos de alguma forma já vivenciaram esse sentimento, entretanto, diferentemente do que a maioria das pessoas pensam, o ciúme não é sinal de amor ao próximo, e sim um sentimento narcisista em que se tem medo de perder a exclusividade e posse sobre o parceiro.
Se analisarmos mais detalhadamente o ciúme, podemos perceber, logo de início, que não se trata de um sentimento voltado para o outro, mas sim voltado para si mesmo, para quem o sente, pois é, na verdade, o medo que alguém sente de perder o outro ou sua exclusividade sobre ele. É um sentimento egocentrado, que pode muito bem ser associado à terrível sensação de ser excluído de uma relação (SANTOS, 2002, p.76)
Cientificamente, Alves, (2001, p.10) fala que o ciúme é a manifestação de um profundo complexo de inferioridade de certa personalidade, sintoma de imaturidade afetiva e de um excessivo amor-próprio, pois, o ciumento não se sente somente incapaz de manter o amor e o domínio sobre a pessoa amada, de vencer ou de afastar qualquer possível rival, sobretudo, sente-se ferido ou humilhado em seu amor próprio.
Dessa forma, ao sentir ciúmes, o sujeito está demonstrando possuir um sentimento de inferioridade, onde acredita ser impossibilitado de nutrir o amor da parceira e sente-se ameaçado com qualquer possível rival, além de ao mesmo tempo apresentar um demasiado grau de amor próprio.
Além disso, para surgir o ciúme é necessário um terceiro elemento que ameace (do ponto de vista do ciumento) o relacionamento. Assim é preciso a formação de um triângulo social, e ainda, da percepção de que o outro – mesmo imaginário – ameace o relacionamento amoroso julgado como importante. A raiva, o medo e a tristeza o acompanham (HARMON-JONES et al, 2009, apud Costa, 2010, p. 22).
Acredita-se que o ciúme seja a demonstração de uma profunda falta de auto estima onde a pessoa que sente o ciúme não se sinta capaz de cativar o parceiro a ponto deste não prestar atenção em outros detalhes ou pessoas a sua volta.
Para diversos autores o ciúme é dividido em três níveis diferentes: o “Normal”, o Neurótico e o Delirante (Paranoico). “O normal, mais comum, é a pessoa sentir-se enciumada em situações eventuais nas quais, de alguma forma, se veja excluída ou ameaçada de exclusão na relação com o outro.” (SANTOS, 2002). Assim, no ciúme normal, existe um motivo real em que o sujeito enciumado sente-se de certa forma abandonado pelo parceiro. Segundo Freud, (1976 apud Nicolau, 2003, p. 3) o ciúme normal é uma situação emocional que pode ser igualado ao luto, onde é caracterizado por uma aflição causada pelo pensamento de perder o elemento amado; pela ferida narcísica e também de sentimentos de rancor contra o concorrente bem sucedido.
Por outro lado, no segundo nível de ciúme, chamado de neurótico, Santos (2002, p.76) relata que o sujeito ciumento passa a ter a sensação permanente de angústia e instabilidade, a insegurança em relação a si mesmo e ao outro, além da fragilidade da relação afetiva, podendo levar à pessoa a manter um permanente “estado de tensão”, temendo ser traído ou abandonado. Nesse caso, o ciumento necessita constantemente se assegurar que o parceiro não está sendo infiel, mesmo que este não tenha lhe dado motivo aparente para desconfiança. Assim, nesse segundo caso, o ciumento está ciente de que o nível de ciúme é exagerado, porém não consegue evitar. White e Mullen, (1989 apud Costa, 2010, p.28) afirmam que o ciúme neurótico mantém a realidade, porém o indivíduo reage mais facilmente e de forma exagerada a situações nas quais a infidelidade e o amor do parceiro não tem porque serem questionadas. Estas reações são acompanhadas de sentimento de culpa e de a própria percepção do indivíduo de que estas reações são extravagantes.
O terceiro nível de classificação do ciúme, de acordo com Santos (2002), o paranoico (ou delirante), é considerado o mais perigoso de todos, pois a desconfiança do ciumento cede lugar a uma certeza infundada de que está mesmo sendo traído ou abandonado. O pensamento delirante muitas vezes toma conta de todo o psiquismo e atinge níveis insuportáveis de tensão interna.
Tanto o ciúme Neurótico quanto o Delirante são considerados patológicos e prejudiciais para um relacionamento conjugal, trazendo mal-estar tanto para o sujeito ciumento quanto o parceiro que convive com ele.
Claro que o ciúme não vai desaparecer de uma hora para outra mas é preciso ter bom senso e saber identificar as causas que fazem eclodir o sentimento e usar do bom senso em atitudes. No caso do ciúme delirante e neurótico nem sempre isso é possível, geralmente é necessário que ocorram terapias e tratamentos para uma convivência saudável com esse sentimento.
3.1.1 Diferença entre Homens e Mulheres
Homens e mulheres diferem em diversos fatores, tanto no quesito intelectualidade, quanto sentimentalidade, então não é de se estranhar que quando o assunto é “sentir ciúmes” os dois gêneros também divergem.
Para os homens é pior se deparar com a infidelidade sexual da parceira, do que emocional, e, ao contrário, para as mulheres a infidelidade emocional é mais preocupante do que a sexual. Uma pesquisa realizada em 1992 por Buss e colaboradores (apud SEO, 2005), comprova essa afirmação. Nessa investigação estudantes universitários teriam que escolher o que considerava mais perturbador: a) imaginar o parceiro tendo diferentes posições sexuais com outra pessoa; ou b) imaginar o parceiro se apaixonando por outra pessoa. E de fato, os homens se sentiram mais perturbados com a traição sexual, e as mulheres com a traição emocional.
Segundo Buss, (2000 apud SEO, 2005), essa diferença entre os eventos que causam o ciúme consiste nas diferenças entre homens e mulheres nas suas atitudes perante o envolvimento emocional durante o sexo.
A maioria das mulheres deseja algum tipo de envolvimento emocional, compromisso, amor, homens maduros, com status financeiro. Os homens têm desejos de variedade sexual, priorizando beleza física (corpo atraente) e juventude. Então, para as mulheres, seria mais perturbadora a infidelidade emocional, enquanto os homens ficam mais aflitos pela infidelidade sexual de suas parceiras (BUSS, 2000 apud SEO, 2005).
Além disso, é importante considerar que os fatores que propiciam as manifestações de ciúme, conforme Buss, (2000 apud Seo, 2005) no sexo feminino são mais voltados a sentimentos de inferioridade, menor desejo sexual e, consequentemente, medo da infidelidade do parceiro. Contudo, para os homens, os temores de abandono e de infidelidade, por parte da parceira, podem se manifestar em situações específicas, como, por exemplo, a saúde em decadência. Nesse caso, a doença faz com que o homem fique preso à casa e, assim, a parceira fica livre para sair; por isso, atormenta-a com questionamentos e acusações.
Mas tanto em homens quanto em mulheres o sentimento é prejudicial e faz com que ocorram conflitos, desentendimentos e até mesmo separações e violência.
3.2 Ciúme Patológico
O ciúme se torna patológico quando traz sofrimento tanto para quem o sente, quanto para seu parceiro, e para estes casos é necessário que se recorra a Tratamento Psicológico e/ou Psiquiátrico para uma melhora significativa do quadro. Segundo Alves, (2001, p.14) em relação a sua espécie patológica, à sua forma mórbida, o ciúme reveste-se de uma modalidade de paranoia, principalmente como uma sistemática forma de delírio obsessivo do agente sobre a infidelidade da pessoa amada, especialmente do cônjuge. Constitui o denominado “delírio de ciúme” de acordo com Tarrier et al, (1990); Westlake e Westlake, (1999 apud Costa, 2010), como manifestação paranoica, do mesmo modo que é o “delírio ou mania de grandeza” ou o “delírio de perseguição”, como ideia fixa, obsessiva falsa que domina ou centraliza toda a vida psíquica. Assim, subdivide-se o ciúme patológico em neurótico ou obsessivo (não psicótico), e delirante (Psicótico),
Para exemplificar a diferença entre uma pessoa com grau de ciúme considerado normal, e pessoas com graus de ciúmes mais elevados considerados patológicos Santos, (2002 p.77) diz que devemos imaginar que para a pessoa “supostamente” saudável, o enciumado passa a se questionar sobre esse sentimento, chega a compartilhar com o parceiro este sentir e pode tirar daí algumas conclusões importantes sobre sua forma de ser. Já a pessoa com ciúme patológico no estilo neurótico, permanece em vigília o tempo todo, tenso, aflito, tomando atitudes sempre procurando uma forma de confirmar suas suspeitas. Isso pode ir de um soturno ato de vasculhar bolsas e bolsos, checar ligações telefônicas e até seguir ou mandar seguir o outro pelas ruas em busca de provas de sua infidelidade. Suas reações no dia-a-dia são geralmente agressivas, acusadoras, desconfiadas, causando um grande mal-estar na relação.
Comportamentos tais como examinar bolsos, carteiras, recibos, contas, roupas íntimas e lençóis, ouvir telefonemas, abrir correspondências, seguir o cônjuge ou mesmo contratar detetives particulares para fazer isso costumam não aliviar e ainda agravar sentimentos de remorso e inferioridade das pessoas que padecem de ciúme excessivo. Um exemplo disso é caso que Wright (1994) descreveu de uma paciente que chegava a marcar o pênis do marido com caneta para conferir a presença desse sinal no final do dia (ALMEIDA, 2013, p.2).
E por fim, uma pessoa com um nível de ciúme psicótico, este também conhecido como “Síndrome de Otelo”, em referência ao personagem shakespeariano que sofria desse mal, pode levar a pessoa a cometer atos de extrema agressividade física, configurando aqueles casos que recheiam as crônicas policiais de suicídios e homicídios passionais.
Enquanto os casos mais brandos de ciúme podem ser uma manifestação de má estruturação da autoestima, os intermediários refletirem estados neuróticos, os casos da “Síndrome de Otelo” são, indiscutivelmente causados por patologias psiquiátricas graves, as chamadas psicoses ou, ainda, por problemas neuropsiquiátricos como os diversos tipos de disritmia cerebral descritos na Medicina. De qualquer forma, o complexo sentimento de ciúme, longe de ser aquele “condimento” que torna a relação amorosa mais “apetitosa”, é um sentimento que leva, via de regra, ao sofrimento de quem o sente e, principalmente, de quem padece nas mãos de um ciumento desconfiado e agressivo (SANTOS, 2002, p.78).
Com uma visão psicanalítica é possível afirmar que o ciúme paranóide (Síndrome de Otelo) seria na verdade o desejo do próprio ciumento em ser infiel, porém, por não admitir conscientemente esse desejo, acaba projetando no parceiro, como se pertencesse a ele a infidelidade ou desejo desta.
A revista Isto É, em Julho de 2012 trouxe uma reportagem com vários depoimentos de pessoas que sofreram com o Ciúme Patológico, dentre esses depoimentos o de Vanessa de Oliveira exemplifica o caso do ciúme como uma projeção da própria infidelidade. Segundo a revista, a catarinense Vanessa de Oliveira, 37 anos conheceu por meio de uma amiga aquele que parecia ser o grande amor de sua vida. Durante os primeiros seis meses em que viveram juntos, tudo correu bem. Até que ele começou a revelar seu lado ciumento. “Ele me ligava o dia inteiro para saber onde eu estava e passou a me tratar mal por ciúme dos outros funcionários do shopping onde tínhamos uma loja”, diz. Um dia, Vanessa descobriu que, apesar de ser extremamente ciumento, o marido mantinha relacionamentos paralelos com diversas mulheres e até era casado legalmente nos Estados Unidos com outra brasileira. “Quando o confrontei com a verdade, ele me agrediu, quebrou minhas coisas, me expulsou de casa e até me ameaçou de morte.”
O ciúme Paranoico é marcado por não possuir um motivo real e sim a certeza absoluta de infidelidade do parceiro baseado na sua imaginação. Ele se torna perigoso pelo fato do ciumento não perceber o seu problema. Freeman, (1990); Kingham e Gordon, (2004, apud Costa, 2010, p. 27) assegura que sua principal característica é a falta de realidade, uma crença irremovível e não compartilhada com outras pessoas do mesmo contexto sócio cultural, que não é passível de argumentação ou de convencimento da pessoa que sofre com o problema, que muitas vezes não acredita que o problema esteja nela e não no parceiro. Pode acontecer isoladamente, ou com outras experiências persecutórias, sendo a causa do ciúme desconhecida pelo paciente.
No DSM-IV existe a classe de Transtorno Delirante – Tipo Ciumento. Características desse diagnostico, segundo Easton et al, (2008, apud Costa, 2010, p. 28) contêm experiências delirantes sobre a infidelidade do parceiro, onde a pessoa possui certeza da infidelidade do parceiro. Em alguns casos ocorre o uso da violência contra o parceiro alvo do ciúme.
Nesse caso o indivíduo acometido desse mal acaba vivendo em função de uma fantasia que o projeta como vitima de uma suposta traição, e que a mesma precisa ser vingada para que consiga voltar a viver em paz.
3.3 Causas
As causas do ciúme podem ser diversas, mas geralmente estão relacionadas a própria pessoa ciumenta. Alves, (2001, p.11), também declara que o ciúme surge e se mantém das dúvidas e desconfianças que torturam a mente do sujeito, trazendo um grande sofrimento psíquico. A dúvida e desconfiança podem surgir de falsas interpretações dos acontecimentos, onde o ciumento julga como certeza algo que é fruto de sua imaginação.
Se formos pensar do ponto de vista psicanalítico, as causas do ciúme estão estritamente relacionadas à infância, como afirma Skoloff, (1954, apud, Alves, 2001, p.18) “o ciúme excessivo das pessoas adultas, de caráter neurótico, irracional, tem sua real origem nos traumas ciumentos da primeira infância”.
A frustração inerente ao Complexo de Édipo, que certamente é o fundamento de todos os ciúmes, foi sentido por todo o mundo, inclusive as pessoas que mais tarde não mostram inclinações aos ciúmes. No Complexo de Édipo, o menino ama sua mãe e deseja tê-la só para ele, se irrita contra o pai que é o principal obstáculo de seus desejos absolutistas e, como consequência de seu ciúme e de sua irritação, experimenta em direção ao pai impulsos hostis e agressivos (FENICHEL, 1966, apud NICOLAU, 200?).
Então, como afirma Fenichel, (1966, apud Nicolau, 200?) ao se deparar com um obstáculo que possa pôr em risco a relação com o parceiro, a pessoa com caráter obsessivo do ciúme se lembra de uma experiência parecida, vivida na infância e que foi reprimida. Assim, manter no primeiro plano da consciência uma humilhação atual ajuda a manter em segundo plano a humilhação anterior.
Muitos outros sentimentos abarcam o ciúme, como inferioridade, baixa autoestima, sentimento de injustiça, e medo inconsciente da perda. O complexo de inferioridade está conexo ao ciúme, segundo Alves, (2001, p.33), em circunstâncias de que o ciumento sente-se incapaz de manter o amor da pessoa amada, ou de afrontar qualquer provável rival da relação amorosa. O mesmo autor diz ainda que o sentimento de injustiça relaciona-se com o ciúme pelo fato de que o ciumento crê não receber o real valor que tem direito, não sendo correspondido. Genú (2013), fala que ao se sentir muito ameaçada por outras mulheres a pessoa passa a ter um grande temor de perder seu parceiro, desta forma, sem muita escolha, para diminuir sua dor, ela começa a exigir coisas que passam a limitar e restringir e a liberdade do seu parceiro.
As pessoas que costumam mudar muito frequentemente seus objetos de posse e sentem-se ciumentas até mesmo de objetos, ou pessoas que não possuem nenhum sentimento especial, são as mais predispostas a desencadear um ciúme patológico. Se o ciúme fosse apenas uma penosa reação a uma frustração, Fenichel, (1966, apud NICOLAU, 200?) diz que podia-se esperar que fosse expulso no possível, mas na realidade apresenta a característica oposta: uma tendência a interferir e a converter-se em obsessão.
As causas do ciúme também podem estar associadas a algum quadro psiquiátrico. Costa (2010, p.26), baseado em diversos autores afirma que o ciúme pode aparecer relacionado a condição orgânica ou tóxica, como nos casos de alcoolismo (ciúme delirante), ou associado ao uso de outras substancias psicoativas; pode ainda estar associado a psicoses funcionais e aos transtornos ansiosos (particularmente ao transtorno obsessivo-compulsivo), e do humor (ciúme obsessivo). Além disso, o mau uso de estimulantes, de acordo com Pillai e Kraya, (2000, apud Costa, 2010, p.27) nos casos de manejos inadequados de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) também pode estar associado ao ciúme patológico e aos comportamentos de perseguição.
3.4 Consequências para os Relacionamentos Conjugais
O ciúme em certa medida pode até aproximar o casal durante uma relação, porém quando ultrapassa a linha da normalidade gera consequências negativas, trazendo menor contentamento no relacionamento.
Uma pesquisa realizada na Universidade Middle East Technical – EUA, de acordo com Oner, (2001 apud Costa, 2010) feita com 266 estudantes (136 homens e 90 mulheres) que responderam a questionários e escalas relacionadas ao ciúme e orientações sobre o futuro nos revela que indivíduos ciumentos tendem a desejar continuidade no relacionamento, enquanto indivíduos menos ciumentos veem o relacionamento como passível de termino e algo que deve ser construído diariamente. Nesta pesquisa foi encontrada associações entre baixos níveis de orientação para o futuro e satisfação no relacionamento, concluído assim que, quanto maior a necessidade de continuidade do relacionamento, maior o nível de ciúme e menor a satisfação no relacionamento ao longo do tempo.
Em geral, como consequência, o ciúme leva à insatisfação e término do relacionamento conjugal. Pois a pessoa ciumenta, movida pelo sentimento de desconfiança, raiva, baixa autoestima, angustia e insegurança passa a querer privar o parceiro do que considera como propenso a infidelidade. Em níveis mais graves, o ciúme pode trazer como consequência a violência. De acordo com a Pesquisa Data Senado, 2011, (ISTOÉ, 2012), em 27% dos casos de violência doméstica registrados no Brasil a agressão foi motivada pelo ciúme. No mesmo ano, em um levantamento do Instituto Avon, 48% das entrevistadas que declararam ter sido vítimas de violência grave disseram que esse sentimento de posse foi o fator responsável pela agressão.
O que leva uma pessoa a ser agressiva e cometer até mesmo homicídios pelo simples fato de possuir ciúmes varia muito de indivíduo a indivíduo, mas pode ser dividida em três perspectivas diferentes: perspectiva feminista, perspectiva do relacionamento diático e a perspectiva psicopatológica. Segundo os autores, O’Leary et al, (2007), e Felson & Outlaw, (2007 apud Costa, 2012, p.46) na perspectiva feminista, é enfatizada a dominância masculina, onde o homem, que acredita possuir o poder e controle na relação, deseja obter exclusividade sexual, e assim este se torna mais propenso a cometer crimes motivados pelo ciúme. Outro autor, também enfatiza essa teoria:
O perfil do passional: é homem geralmente de meia, é ególatra, ciumento e considera a mulher um ser inferior que lhe deve obediência ao mesmo tempo em que a elegeu o problema mais importante de sua vida. Trata-se de pessoa de grande preocupação com sua imagem social e sua respeitabilidade de macho. Emocionalmente é imaturo e descontrolado, presa fácil da ideia fixa. Assimilou os conceitos da sociedade patriarcal de forma completa e sem crítica (ELUF, 2003 p. 198, apud Figueiredo, 2012).
Em continuidade, na perspectiva do relacionamento diático, a base é a discórdia nos relacionamentos e comportamentos. E por fim, a perspectiva psicopatológica, onde faz uma assimilação dos problemas individuais (como desregulação emocional), e o abuso de álcool com a violência.
4. Conclusão
O ciúme pode ser tratado com o algo normal e sem importância até certo ponto. Mas o ciúme é de maneira geral considerado com o algo ruim e prejudicial num relacionamento, ainda mais quando se torna um ciúme patológico, ou seja, quando necessita de ajuda profissional.
O ciúme possui três graus o normal o neurótico e o delirante. O ciúme neurótico e o delirante fazem parte do grupo que necessita de auxilio psicológico para que o indivíduo supere este estágio.
Já o ciúme patológico é o tipo de ciúme que traz sofrimento tanto a pessoa que sofre desse mal bem como do parceiro que é alvo desse ciúme. Esse tipo de ciúme necessita de acompanhamento pois as consequências dele podem ser imprevisíveis.
Assim é importante que se tenha consciência de quando o ciúme já ultrapassou a barreira do normal e precisa ser avaliado, é preciso que a pessoa com esse problema tenha noção de que alguns problemas requerem mais que somente sua boa vontade de mudar e sim a ajuda de profissionais que estão aptos a tratá-lo e avaliá-lo de forma imparcial e possibilitando uma vida dentro da normalidade no menor tempo possível.
Autores: Andréia Piccinin Scheila Beatriz Sehnem | Publicado na Edição de: Julho de 2014

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