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A sexualidade o alcoolismo na terceira idade

alcool01Resumo:O envelhecimento ou o termo envelhecer populacional é uma realidade, sendo universal, evolutivo e gradual, que está relacionado ao tempo de vida, fazendo parte de um processo biológico, psicológico, social e cultural, entretanto, associando – se a fatores que podem vir acarretar ou não algumas perturbações mentais no idoso, e atribuindo, na maioria de certos casos debilitações ou delimitações em outros aspectos relevantes no decorrer da vida do mesmo. Portanto, o presente artigo tem como objetivo focar na Terceira Idade (envelhecimento), nas dificuldades e problemas ligados a expressão da afetividade e da sexualidade. Assim, tendo como consequência e comprometendo a saúde sexual do idoso, as características e proporção do uso do álcool nesta fase da vida, que vem crescendo por dificuldades de ordem econômicas e em muitas das vezes por abandonos familiares. Neste estudo utilizou-se uma revisão literária, revistas acadêmicas, livros e artigos científicos, referente às seguintes temáticas – envelhecimento, alcoolismo e a sexualidade na velhice. É de suma importância entender a respeito das atuais implicações psicossociais nas questões da sexualidade e o uso do álcool do segmento idoso, sem a diferenciação de gênero.

Palavras-chave:Sexualidade, Alcoolismo, Terceira, Idade.

1. Introdução

O envelhecimento ou o termo envelhecer populacional é uma realidade, sendo universal, evolutivo e gradual, que está relacionado ao tempo de vida, fazendo parte de um processo biológico, psicológico, social e cultural, entretanto, associando – se a fatores que pode vim acarretar ou não algumas perturbações mentais no idoso, e atribuindo, na maioria de certos casos debilitações ou delimitações em outros aspectos relevantes no decorrer da vida do mesmo.

Ao longo da história, a velhice foi encarada de formas diversas, ora venerada, ora desprezada, variando consoante a cultura e a sociedade. É, de resto, um conceito socialmente construído e não universal (PEREIRA, 1999).

Do ponto de vista biológico, o envelhecimento é um processo de transformação das células e dos tecidos, provocado pela ação do tempo sobre o organismo, o que leva a um risco cada vez maior de mortalidade. Sabe-se que a aceitação da mudança ligada ao medo de envelhecer, e a satisfação de vida, estão relacionadas com as auto-percepções da idade. Podem surgir sentimentos negativos face às alterações fisionómicas provocadas pelo envelhecimento e a sensação que se perdeu a beleza do passado (LÉGER et al., 1994, apud SANTOS e TRINDADE, 1997).

Segundo Schroots e Birren (1980, apud por PAÚL, 1997), o processo de envelhecimento é composto não só pelo envelhecimento biológico (senescência), mas também pelo envelhecimento social (papéis sociais esperados pela sociedade como sendo os apropriados) e o envelhecimento psicológico (adaptação ao processo de senescência). O envelhecimento associa-se a uma série de factores e condicionalismos que podem, como refere Barreto (1984, apud por FERNANDES, 2000), ser responsáveis por algumas perturbações mentais no idoso, sendo importante conhecer e compreendê-los de modo a agir de forma a manter o equilíbrio do idoso.

Como refere Herrero (1984), a atividade sexual de um casal idoso permite que a identidade de cada cônjuge seja reafirmada, pois cada uma das partes pode oferecer ao outro algo que o agrada e satisfaz, e desta forma a pessoa reconhece que o seu corpo é capaz de dar e receber prazer, aumentando a sua auto-estima que tende a diminuir na velhice, sendo necessário reforçá-la.

Verifica-se que o nível de atividade e de interesse sexual das pessoas idosas se encontra relacionado com a sua atividade e interesse sexual na juventude; constatando-se que os homens que foram sexualmente ativos na juventude e idade adulta tendem a ser sexualmente ativos na terceira idade (NEWMAN & NICHOLS, 1960; FREEMAN,1961; RUBIN, 1965; apud SILNY, 1993); e as mulheres que tiveram uma atividade sexual regular antes da terceira idade, nesta fase poderão continuar a tê-la com igual prazer (MASTERS e JOHNSON, 1966).

Um outro fator que se desencadeia nesta fase da vida em muita das vezes com frequência, de acordo com Oliveira e Luiz (1996), é o consumo de álcool, que parece ser o hábito social mais antigo e disseminado entre as populações, pois ele está associado a ritos religiosos e lhe é atribuída uma variedade de efeitos, tais como calmante, afrodisíaco, estimulante do apetite, desinibidor e outros. Seu uso vem da Pré – História. Porém, somente a partir do século XX, foram realizados estudos mais sistematizados, voltando – se para os problemas que o consumo de álcool vem ocasionando ás populações, em que, também, vem crescendo na população idosa. O alcoolismo é um dos principais problemas de saúde pública no mundo, e não apresenta um padrão homogêneo no seu quadro clínico, evolução e fatores etiológicos.

2. Conceitos

Para Oliveira (1999), o próprio conceito de velhice não constitui uma tarefa fácil de ser elaborada devido à complexidade de fatores que envolvem. Conforme Costa (2001), a velhice por ser construída historicamente, precisa ser compreendida em sua totalidade, uma vez que cada sociedade constrói sua visão da velhice, destinando-lhe, assim, seu lugar e papel. Na sociedade contemporânea, existe uma grande diversidade de nomenclatura para definir o idoso ou a velhice. Termos como velho, velhote, idoso, terceira idade, quarta idade, indicam uma pluralidade vocabular, dificultando, às vezes, sua conceituação, pois, estão presentes fatores biológicos, sociais, culturais e psicológicos.

Para Bacelar (1999), o conceito social da velhice parte de determinadas regras e expectativas sociais que categorizam as pessoas sobre seus direitos e deveres de cidadão, as tarefas de desempenho de determinados papéis sociais. Assim, cada sociedade, no decorrer de sua história, adota conceitos sociais diferentes quanto à idade e à definição de envelhecimento.

A concepção de estar se tornando velho é excluída da própria identidade (condição de ser igual a), diante da internalização dos preconceitos. Velhos são os outros, como nos advertiu Beauvoir (1990).

Segundo Bruns (1994), uma vez que a pessoa idosa não atende as expectativas e exigências da sociedade de consumo, sofre as conseqüências por ser reconhecida como não produtora de mais-valia e assim, mercadoria que tem seu tempo de uso vencido e que, por isso, deve ser tirada de circulação. Nesse sentido, a sociedade parece estabelecer um ‘tempo útil’, um ‘tempo limite’ de vida para cada pessoa, que é quase sempre marcado pela aposentadoria.

Rey (2004), afirma que o sujeito é profundamente singular, é pessoa viva, ativa, presente, pensante, se posiciona, e está em permanente processo, e produz sentidos subjetivos no curso de sua vida, que supera o determinismo mecanicista em que a trajetória no processo de viver experiências parece não ter nenhuma significação.

É nesse sentido que Oliveira (1999) argumenta que existem vários modos de julgar a velhice, isto é, normas diversas para defini-la e graduá-la. Sabe-se que “ser”, “parecer”, “sentir-se”, “viver como” ou “ser considerado” velho são ainda fatos distintos, e, precisamente, essa diversidade explica as frequentes contradições entre critérios subjetivos e objetivos.

Para Zimerman (2000), idoso é aquele que tem diversas idades: a idade do seu corpo, da sua história genética, da sua parte psicológica e da sua ligação com sua sociedade. Portanto, esta noção de envelhecimento é compatível com a ideia de que o processo de desenvolvimento é contínuo e nunca cessa.

Monteiro (2001) enfatiza que a velhice não se apresenta para o sujeito, mas fica clara para os outros. O indivíduo que envelhece não percebe as mudanças corporais da mesma maneira que os outros as percebem. Reconhecer as transformações nos outros é sempre mais simples do que em nós mesmos, porque as mudanças ocorrem lentamente, e o nosso organismo com sua capacidade plástica propiciam assimilação das mudanças de maneira gradual.

Ao investigarmos o processo de envelhecimento, percebemos que o conhecimento atual aquilatado a respeito em relação a alguns temas como o estudo do amor e da sexualidade carece de identidade e é permeado por elementos de discursos teóricos e ideológicos fundamentados em legados ultrapassados, muitas vezes oriundos das ciências sociais e da medicina (NERI, 1993).

Conforme Kreutz e Muller (1999), a vida humana é regida por aspectos mais complexos do que o imperativo reprodutivo. A sexualidade do ser humano não se restringe ao enfoque puramente de procriação. Uma relação sexual entre duas pessoas envolve não somente deveres biológicos, mas, em contrapartida, toda a corporalidade, um vínculo emocional, uma infinidade de sentimentos, além de valores sociais e culturais do par. A capacidade de sentir prazer e emoções não tem limite de idade.

Na visão de Bacelar (1999), existem muitos preconceitos e falsas concepções sobre a sexualidade do idoso. Durante muito tempo, esse assunto foi proibido não apenas no convívio das pessoas como na pesquisa científica. Somente na década de 1940, o Relatório Kinsey nos conduziu a uma pesquisa aberta sobre a sexualidade; a partir daí, ruíram muitos tabus sobre o assunto. Se para o jovem havia repressão ao tratar de sexo, para o idoso, além de proibido, era imoral. Ainda hoje, para Capodieci (2000), falsas crenças e mistificações tornam difícil falar da sexualidade dos idosos e o estereótipo ainda difuso é que o prazer sexual esteja limitado somente ao período juvenil da vida.

Segundo Covey (1989), atitudes sociais negativas e mitos são atribuídos às pessoas da terceira idade, sendo que os mais intensos e prejudiciais são aqueles ligados à sexualidade, impedindo assim qualquer manifestação desta área nessa faixa etária. Conforme Vieira (1996), o estereótipo de que o idoso não tem interesse por sexo, é uma invenção da cultura em que se vive e da ansiedade que cerca o assunto. A sexualidade é um elemento fundamental para uma boa qualidade de vida dos idosos, porém se faz necessário conhecimento de como eles a percebem e a vivenciam, permitindo a obtenção de informações relativas ao tema que poderão subsidiar os profissionais de saúde, com vistas ao planejamento de ações específicas e objetivando a atenção integral.

Ao contrário do que se pode pensar, a velhice é uma idade tão frutífera como qualquer outra no que se refere à vivência do amor e à questão da prática da sexualidade. Infelizmente, existem muitos mitos que dificultam a compreensão de como a vivência do amor e da sexualidade está relacionada com pessoas de idade avançada.

A sexualidade para Capodieci (2000) faz parte da dialética da existência de cada indivíduo em qualquer idade; ela representa um dos aspectos do viver juntos e será sempre uma manifestação rica e vital do seu desenvolvimento.

Segundo Covey (1989), atitudes sociais negativas e mitos são atribuídos às pessoas da terceira idade, sendo que os mais intensos e prejudiciais são aqueles ligados à sexualidade, impedindo assim qualquer manifestação desta área nessa faixa etária. Conforme Vieira (1996), o estereótipo de que o idoso não tem interesse por sexo, é uma invenção da cultura em que se vive e da ansiedade que cerca o assunto.

O sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e reconfortantes que realçam os anos vindouros. Também são de uma enorme complexidade psicológica. Durante toda a vida carregamos o peso da nossa formação sexual que foi constituída por nós mesmos, nossos pais, nossa família, nossos professores, e nossa sociedade de maneira positiva ou, às vezes, negativa.

O sexo na terceira idade, para Risman (1999), além da satisfação física, reafirma a identidade de cada parceiro, demonstrando que cada pessoa pode ser valiosa para a outra. Junto ao sexo, também estão valores muito importantes na terceira idade: a intimidade, a sensação de aconchego, o afeto, o carinho e o amor. O desejo por intimidade, afeição e amor não acaba em nenhuma idade. Por isso, na sociedade, muitas vezes, conforme Cavalcanti (1994) argumenta que a idade não é nunca, em si, causa do desaparecimento da capacidade sexual de um indivíduo. Pois, a apetência deveria ficar inalterada, ou poderia ficar mais requintada em função da experiência ou da maior maturidade na comunicação dos pares, porém a falta de esclarecimento específico concorre para uma série de conseqüências graves e desastrosas no desempenho sexual dessas pessoas.

Almeida e Mayor (2006), Braz (2006) e Shinyashiki e Dumêt (2002) advogam que o amor é uma condição inerente ao ser humano. Para Braz (2006), o amor é a condição fundamental para o nascimento ontogenético da pessoa; participa ativamente da evolução e estruturação da personalidade, porque é capaz de aproximar a pessoa de sua essência, por propiciar o desenvolvimento de relações sociais, dentre outros aspectos.

A sexualidade na terceira idade é freqüentemente vista com base em velhos estereótipos privados de significados, como também é associada à disfunção ou a alguma insatisfação. Dessa forma, pensa-se que envelhecer é incompatível com uma boa qualidade de vida. Entretanto, uma velhice satisfatória não necessariamente precisa ser um privilégio, ou ser um atributo biológico, psicológico, ou social, embora resulte da qualidade da interação entre pessoas e do entorno que as circunda.

Os estereótipos de que as pessoas idosas não são atraentes fisicamente, não têm interesse por sexo ou são incapazes de sentir algum estímulo sexual ainda são amplamente difundidos. Esses, acrescidos da falta de informação, induzem as pessoas a assumirem uma atitude pessimista em tudo que se refere ao sexo na velhice. Entretanto, com os recursos tecnológicos atualmente existentes, a maioria das pessoas idosas está apta a usufruir uma vida sexual satisfatória. Para isso, uma atividade sexual regular ajuda a manter a habilidade no sexo, embora com o passar do tempo seja possível constatar certa diminuição de resposta aos estímulos sexuais, fenômeno relacionado ao processo normal de envelheciment

O envelhecimento, na visão de Lopes (1993), é uma fase extremamente crítica para o indivíduo, particularmente na nossa cultura, onde as perdas são mais valorizadas que os ganhos. O autor ressalta que em uma sociedade onde há uma glorificação da juventude, que se espelha na busca do rejuvenescimento a todo custo, com exaltação do corpo atlético, são de se esperar, fatalmente, problemas ligados à esfera sexual. À medida que a idade avança, os preconceitos em todos os setores da vida se fazem presentes, particularmente os sexuais. Segundo este autor (1993), esses preconceitos constituem um dos piores e dos mais cruéis para a pessoa humana. Diz-se que o idoso não tem mais interesse sexual, que não precisa de sexo e que fica até feio pensar e fazer. A idade não dessexualiza o indivíduo, mas sim, a sociedade, ou seja, a satisfação sexual depende da imagem que se faz do sexo e a influência que sofremos do meio. E depende, também, de como cada pessoa encara o passar dos anos e as mudanças advindas com os mesmos.Como nos lembra Fraiman (1994) aqueles que já usufruíram dos prazeres com desinibição, mantiveram constância nas atividades sexuais, enfim, os mais ativos na juventude, continuam mais ativamente interessados ao envelhecer.

É preciso ter em mente que na velhice é importante manter-se ativo sexualmente, pois fazer sexo com regularidade ajuda a manter os órgãos sexuais saudáveis. Nas mulheres, por exemplo, contribui para manter a vagina lubrificada e flexível. É preciso também que se vejam com naturalidade as modificações ocorridas no organismo e não se cobre um desempenho atlético, afinal, uma relação sexual é um momento de prazer e relaxamento, não de desafio, ou de uma disputa a ser ganha (NOGUEIRA, 2000).

É importante abandonarmos posturas derrotistas e reeducarmos a nossa visão, aprendendo, definitivamente, que o amor não acaba com o passar dos anos, pois não existe “aposentadoria” para ele e, concomitantemente, para a vivência de uma sexualidade em idade avançada. O amor romântico e a prática do erotismo na velhice são um direito, infelizmente nem sempre respeitado.

Com o envelhecimento, ocorrem mudanças no cérebro, principalmente, com uma perda na densidade dendrítica dos neurônios; esta acarreta o efeito de retardar o tempo de reação em quase todas as tarefas, com conseqüência como a perda da audição, do olfato e da gustação. Existe, também, uma grande proporção de incapacidades físicas causadas por doenças, como artrite, hipertensão arterial e doenças cardíacas, diabetes e alguns transtornos mentais; entre estes o alcoolismo, mesmo que existam controvérsias quanto à existência ou não de quadro clínico do alcoolismo característico da população idosa; com isso o diagnóstico e tratamento deste transtorno neste grupo etário se tornam cada vez mais importantes (BEE,1997).

Algumas pessoas começam a fazer uso do álcool tardiamente, o que aumenta a prevalência de dependência do álcool, ao contrário de muitos estudos epidemiológicos. Estudos realizados em amostras clínicas evidenciavam um aumento significativo na população idosa, na qual de 6 a 11% dos pacientes idosos admitidos em hospitais gerais apresentaram dependência alcoólica; é claro que são menos os casos de alcoolismo em relação a pacientes jovens. O alcoolismo produz déficits semelhantes no funcionamento intelectual e comportamental, sendo que o uso do álcool pode acelerar o envelhecimento normal ou levar ao envelhecimento prematuro do cérebro. O lobo frontal do cérebro é uma estrutura especialmente vulnerável ao uso crônico e intenso do álcool, levando o indivíduo a um prejuízo intelectual intenso. Além disso, idosos alcoolistas se recuperam menos dos déficits cognitivos do que os adultos, sendo que o uso crônico, também, pode acelerar o desenvolvimento de instabilidade postural e quedas relacionadas à idade (COUTINHO, 1992).

É sabido das conseqüências do uso agudo e crônico de álcool na estrutura cerebral, podendo causar a síndrome de Wernicke-Korsakoff, freqüentemente, associada a alcoolismo e desnutrição; é caracterizada por nistagmo, paralisia do olhar conjugado e abducente, ataxia da marcha e confusão mental, em associação a um estado confabulatório amnésico. Vários autores discutem sobre uma possível síndrome determinada pelas alterações corticais cerebrais atribuídas aos efeitos tóxicos do álcool, na ausência de déficits vitamínicos e subnutrição, chamada de “Demência alcoólica”. Ocorreria uma atrofia progressiva do córtex dos lobos frontais, aumento dos ventrículos laterais, perda irregular de células piramidais menores das lâminas superficiais e intermediárias, e degeneração secundária com perda de fibras nervosas (NEVES, 2004).

3. Efeitos do Álcool na Terceira Idade:

Muito embora problemas físicos e problemas relacionados ao uso do álcool possam estar associados tanto ao envelhecimento quando ao uso excessivo do álcool, o impacto da interação destes fatores ainda é desconhecido.

Exemplos prováveis dessa interação:

O aumento da incidência de fraturas em indivíduos que consomem álcool. Este aumento pode ser explicado pela ocorrência de quedas durante o período de intoxicação ou por uma diminuição da densidade óssea em indivíduos alcoolistas. Estudos na população geral sugerem que o consumo moderado de álcool (até duas doses de bebida alcoólica em homens e uma dose em mulheres) pode ter algum efeito protetor cardíaco. Devido às alterações orgânicas próprias do envelhecimento, recomenda-se que idosos não façam uso de mais do que uma dose de álcool por dia. O avançar da idade, em indivíduos que fazem uso do álcool, pode ter um impacto sobre os índices de acidentes de carro e prejuízos associados; principalmente, pelo fato de a população idosa ser cada vez maior e, portanto, mais exposta a acidentes de trânsito. Sabe-se que a média de medicamentos usada por indivíduos com mais de 60 anos é de 2 remédios/dia, e que o uso crônico do álcool leva a ativação de enzimas que degradam o álcool e algumas substâncias presentes nos remédios. Como a interação de medicamentos e álcool é comum em idosos, há um aumento do risco de efeitos negativos à saúde nesta população.

4. O Avançar da Idade e a Sensibilidade ao Álcool

Poucos estudos sugerem que a sensibilidade aos efeitos do álcool aumenta com a idade. Uma das razões para isso se deve ao fato que os idosos atingem uma concentração alcoólica maior do que indivíduos mais jovens, para a mesma quantidade ingerida de álcool. As maiores concentrações de álcool no sangue devem-se à diminuição do líquido corporal, decorrente do fenômeno natural do envelhecimento e, conseqüentemente, a uma diminuição da diluição do álcool no sangue. Isto significa que muito embora os idosos consigam metabolizar e eliminar o álcool de modo eficaz, eles apresentam um maior risco de intoxicação e efeitos adversos pelo álcool. O envelhecimento, também, interfere na capacidade do organismo se adaptar à presença do álcool, ou seja, tolerar o álcool. Apesar disto, idosos podem começar a ter problemas pelo uso do álcool, mesmo que o seu padrão de uso continue o mesmo.

5. Envelhecimento, Álcool e Cérebro

Tanto o envelhecimento como o alcoolismo produz déficits semelhantes no funcionamento intelectual e comportamental. O alcoolismo pode acelerar o envelhecimento normal ou levar ao envelhecimento prematuro do cérebro. O lobo frontal do cérebro é uma estrutura especialmente vulnerável ao uso crônico e intenso do álcool, levando o indivíduo a um prejuízo intelectual intenso. Além disto, idosos alcoolistas se recuperam menos dos déficits cognitivos do que adultos. O uso crônico do álcool, também, pode acelerar o desenvolvimento de instabilidade postural e quedas relacionadas à idade.

6. Tratamento do Alcoolismo na Terceira Idade

Estudos mostram que os idosos se beneficiam menos do tratamento para a dependência do álcool do que indivíduos jovens. O uso de medicamentos que auxiliam na manutenção da abstinência, ainda, não foi muito estudado. No entanto, alguns estudos sugeriram que o naltrexone pode ajudar a prevenir recaída em indivíduos de 50 a 70 anos.

Prado e Sayd (2004) afirmam que o Brasil está vivendo o fenômeno do envelhecimento populacional, sendo assim a velhice vem ganhando espaços cada vez maiores no cenário nacional. Desta forma, são crescentes os estudos relacionados a essa faixa etária e sobre as questões associadas à velhice. Dentre elas, destaca-se o etilismo, um dos principais problemas de saúde pública, apesar de sua ampla aceitação social. (ANDRADE, 1997;CEBRID, 2004; CAMPOS, 2004).

Botega (2006) afirma que o álcool é a substância psicoativa mais consumida, a que tem as mais diversas apresentações, variados modos de consumo e fácil acesso ao usuário. O álcool é uma droga que possui importantes efeitos farmacológicos e tóxicos sobre a mente e sobre quase todos os órgãos e sistemas do corpo humano. (EDWARD, 1999).

Vargas e Labate (2005) apontam que o alcoolismo constitui um dos mais graves problemas médico-sociais dos grandes centros na atualidade. Esse fato tem preocupado governos, profissionais da saúde e a sociedade de um modo geral.

Ações em Saúde Pública têm sido direcionadas à identificação do alcoolismo prioritariamente entre adultos jovens, no entanto as consequências físicas, sociais, psicológicas e cognitivas do álcool também abrangem os idosos. Os distúrbios cognitivos causados pelo álcool são mais frequentes entre idosos com longo tempo de uso (LOPES e LUIS, 2005).

A prevalência estimada de alcoolismo desse grupo etário é de 10% na comunidade, 14% nas urgências hospitalares, 18% nas internações em enfermarias e 23% a 44% em unidades psiquiátricas, sendo o problema mais comum entre homens (RIGO, RIGO, STEIN, FARIA, SANTOS, 2005).

Esses autores alertam que as alterações orgânicas próprias do envelhecimento modificam as respostas ao álcool. Ao envelhecer o indivíduo pode tornar-se sensível à intoxicação alcoólica com doses que antes eram bem toleradas.Considerando-se que a velhice é uma fase da vida humana com características próprias e que o envelhecimento tem múltiplas dimensões que abrangem questões de ordem social, política, cultural e econômica faz-se importante investigar como os profissionais de saúde vem atuando frente a este problema (CAMACHO, 2002; MORAES, CAMPOS, FIGLLE, LARANJEIRA e FERRAZ, 2006).

O potencial para reduzir a incidência e gravidade das complicações físicas e psicossociais associadas a uma redução ou abandono do uso de álcool e drogas entre idosos sugere que a avaliação e o tratamento desses pacientes devem ser uma das prioridades no manejo clínico desse grupo vulnerável da população frequentemente desprovido de direitos. (HULSE, 2002).

7. Considerações Finais

Para finalizar este presente estudo, cabe ressaltar que o envelhecimento é constituído devido a complexidade de vários fatores, e importante citar que a velhice biológica, na concepção de Mercadante (1997), nunca é um fato total, pois o humano é subjetivo, indeterminado, e não um objeto que possa ser classificado em série. A velhice não pode ser vista exclusivamente por uma perspectiva biológica, porque o homem não é somente uma entidade biológica. É, também, um ser social, cultural, psicológico e espiritual. É necessário levar em conta que a velhice pode ser vivida e percebida de formas diferentes, de acordo com o contexto sócio – cultural em que se desenvolve. O ser humano em si é participante ativo e vigoroso da sua própria existência, pois todos os fenômenos devem ser estudados como processo em permanente movimento e transformação, cada idoso inclui seus processos de desenvolvimento social e humano no resgate de suas origens e de sua historicidade, como processos contínuos de transformação qualitativa, em constante reconhecimento e valorização de suas experiências individuais e subjetivas, é de suma importância compreender que somos constituídos de um sistema complexo subjetivo.

Segundo Bock e Gonçalves (2005), quando falamos de nossas emoções, afetos, pensamentos, projetos, valores e julgamentos, estão falando de um mundo singular, de um mundo de registros a partir de vivências, do mundo psicológico de cada sujeito. Portanto, estamos falando de subjetividade. Na terceira idade a sexualidade tem como proposito envolver valores humanos, filosóficos, sociais e religiosos, e é constituído simultaneamente pela subjetividade individualmente e social, em uma visão que permite enxergar, de maneira distinta, profunda, recursiva, contraditória e multidimensional o caráter de sua constituição. Porém fica de Maneira clara que a sexualidade está presente em toda nossa existência, o organismo se modifica ao longo da vida, e a sexualidade também e esta merece ser tratada e direcionada na sua particularidade, possibilitando a vivências de bons relacionamentos sociais, afetivos e amorosos na terceira idade.Segundo (Freud, 1925) a sexualidade é concebida como energia , libido, caracteriza – se por uma capacidade de se ligar as pessoas, objetos, ideias, ideais, a vida, em fim; inclui a atividade sexual, mas não se resume em só sexo.Com as circunstancias da vida e os fatos que estão sempre em transição, como os preconceitos e estereótipos estabelecidos pela sociedade referente ao idoso, o mesmo se detêm a várias situações e práticas não tão favoráveis, como o uso do álcool que vem se propagando no público da pessoa idosa ocasionando desta forma várias complicações.

 

Fonte:http://psicologado.com/psicologia-geral/desenvolvimento-humano/a-sexualidade-e-o-alcoolismo-na-terceira-idade#ixzz35rAPxGlq
Psicologado – Artigos de Psicologia

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